segunda-feira, 29 de outubro de 2007

DFK6498

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DFK 6498

Este filme foi realizado por Cameron Duncan, jovem realizador da Nova Zelandia a quem foi diagnosticado um osteosarcoma do joelho esquerdo. Este relato é deveras impressionante. Este jovem já faleceu, após este filme. Peter Jakson incluiu dois dos seus filmes no DVD dos senhor dos Aneis. A ver...com muita atenção.

domingo, 28 de outubro de 2007

ESQUIZOFRENIA



2007-10-28 - 00:00:00
Esquizofrenia ausência de apoios castiga doentes


Para os doentes a quem a Medicina entendeu chamar de esquizofrénicos, a distinção entre realidade e imaginação torna-se tarefa difícil e os momentos de alucinação acabam por ser partilhados por toda a família. Tudo porque, em Portugal, a maioria destes doentes vive a cargo da família, obrigada a enfrentar a doença sem apoios.


É para a falta de ajudas que Marques Teixeira, director clínico do Centro Hospitalar Conde Ferreira, no Porto, chama a atenção. Fala no “estigma” que ensombra a sociedade, com manifestações “que se estendem desde o nível político ao senso comum”. Para este especialista, é preciso, acima de tudo, mudar mentalidades, já que os esquizofrénicos “são doentes e pessoas que têm direito a ser tratadas como tal”.Tal como acontece noutros países ditos desenvolvidos, cabe às famílias a dura tarefa de cuidar dos doentes. Para os que se vivem sozinhos, sem apoio familiar, pouco mais resta do que as estadias nos hospitais psiquiátricos ou, em alternativa, a marginalidade. “Como não há uma rede de suporte que cuide destas pessoas, muitas acabam nas ruas, como sem-abrigo, fenómeno que ocorre com cada vez maior frequência na Europa.” Tendo em conta a ameaça de encerramento que paira sobre as unidades de cuidados psiquiátricos nacionais, Teixeira Marques teme que esta realidade chegue em breve a Portugal.Pede-se, por isso, mais meios e uma maior alocação de recursos. “Estamos praticamente a zero quando se trata da rede de apoio comunitário, necessária para apoiar os doentes nas famílias”, avança o médico. E a justificação para a falha é simples: “Deficientes políticas de saúde mental”, um problema que não é recente.Outras questões põem em causa a qualidade de vida de quem sofre com esquizofrenia, como o número de camas disponíveis nos hospitais ou a questão da reabilitação e integração social. Se há doentes para quem este cenário não é possível, outros há que, com o devido apoio médico e psicológico, têm a possibilidade de ocupar um lugar produtivo na sociedade. Para isso são necessários programas e estruturas de apoio que, segundo Marques Teixeira, “não existem em Portugal”.

BRILHO QUE A DOENÇA NÃO APAGOU

Chama-se John Nash Jr., é norte-americano e sofre de esquizofrenia, diagnóstico que não apagou, no entanto, o brilho de uma mente considerada por muitos genial. Nash podia ser mais um nome a juntar ao de tantos outros doentes no Mundo, mas saltou para a ribalta depois de, em 1994, ter ganho o Nobel da Economia graças a uma tese de doutoramento na área da Matemática, escrita décadas antes. Começou cedo a interessar-se pela ciência dos números, que o levou longe na carreira académica, apenas interrompida, no início da década de 60, por uma esquizofrenia paranóica, combatida por tratamentos que incluíram o internamento. Tornou-se o exemplo do potencial de quem sofre com este problema, retratado pela indústria de Hollywood no filme ‘Uma Mente Brilhante’.

USO DE CANNÁBIS LEVA A CRISES PSICÓTICAS

Há indícios que apontam para a possibilidade de o consumo de canábis poder provocar crises psicóticas e já foi demonstrado que o contacto com as drogas favorece o aparecimento da esquizofrenia quando já existe predisposição para a doença.Outros estudos revelam, porém, que os doentes têm, por motivos ainda pouco claros, maior tendência para o consumo de tóxicos. Independentemente de quem tenha razão, há uma certeza: consumir droga piora o prognóstico da doença, o que levou as Nações Unidas a pedirem o fim da tolerância dos países mais desenvolvidos em relação ao consumo de algumas substâncias, como o álcool ou a canábis, considerado aceitável na maior parte das nações. E mesmo a canábis é legal e considerada inofensiva em alguns países.Muitos especialistas defendem que a possibilidade de sofrer de alucinações ou pensamentos delirantes que não se ajustam à realidade – sintomas da esquizofrenia – aumentam em quem consome regularmente drogas. Estes estudiosos não duvidam de que as drogas precipitam episódios psicóticos. Outros defendem que é a doença que favorece o consumo.

FACTOS E NÚMEROSCUSTOS ELEVADOS

A esquizofrenia é uma das doenças que mais contribui para a despesa com a saúde nos países desenvolvidos. Na Europa, estima-se que contribua com 1,9 por cento do total do orçamento para a saúde.

EM PORTUGAL

Estima-se que a esquizofrenia afecte entre 60 a 100 mil portugueses. De acordo com um estudo, 64,4 por cento dos doentes depende da família e só 18,6 por cento tem uma relação com um companheiro.

INSERÇÃO

Ainda de acordo com o mesmo estudo, 35 por cento dos doentes está no desemprego ou na reforma, enquanto 41,5 por cento diz não ter actividades sociais com amigos ou família.

TRATAMENTOS

Cerca de três quartos dos esquizofrénicos não sofrem recaídas no prazo de três anos, sinal da eficácia dos tratamentos.

NOTAS:EM QUE CONSISTE A DOENÇA?

A esquizofrenia é uma doença mental grave que altera de forma significativa a vida de quem dela sofre e dos seus familiares. Os afectados têm dificuldade em distinguir o que é ou não real, tendo comportamentos estranhos.

QUAIS SÃO AS SUAS CAUSAS?

Não são totalmente conhecidas as causas por detrás da doença. Sabe-se que na sua origem estão factores genéticos e ambientais, afectando uma em cada 100 pessoas. É mais comum manifestar--se na adolescência e em adultos jovens.

QUE SINTOMAS APRESENTA?

Os sintomas são muitos e manifestam-se de forma diferente de pessoa para pessoa. Sabe-se que, em 30 por cento das situações, é uma doença que está associada ao consumo de substâncias tóxicas, aumentando o risco de suicídio.



Carla Marina Mendes
“In correio da manhã de 28/10/2007”

sábado, 27 de outubro de 2007

Dias de Aulas de uma P.G. IV



Hoje é um dia em cheio, temos todo o dia aulas. Sinto-me um pouco cansado, dezasseis horas de trabalho todos os dias têm-me feito vacilar um pouco, e toldam-me um pouco o raciocínio. Introduzimos o estágio na P.G.
Foi definido o que era pretendido na construção do portefólio. Fiquei um pouco desiludido, pois a ideia que já tinha em mente para construir o meu portefólio já não é exequível, uma vez que tem de ser construído em suporte informático. Mas como tudo na vida, construir, reconstruir faz parte dos processos de formação e de crescimento pessoal, terei que me debruçar mais tarde sob a forma como irei apresentar a minha aprendizagem.
Foi mais tarde introduzido mais um módulo de Saúde Mental e Comunitária. Foi uma aula de exploração. Primeiro tentámos apontar a característica mais importante em nós. Curioso, perseverante, dinâmico, justo, persistente, verdadeiro e exigente, foram algumas das características que definiam o maior número de estudantes. Estas características, revejo-as nas capacidades e nas virtudes que o enfermeiro deve ter, eram estas, as características atribuídas à turma.
Há tarde, mais uma aula de ética. Desta vez estávamos a PG de saúde mental, e a PG de Médico-cirúrgica Urgência/Emergência. Falou-se de autonomia vs vulnerabilidade. De quanto mais autónomo o doente se encontra, menos vulnerável se sente e vice-versa. Senti que, cada vez mais estas questões fazem mais sentido, uma vez que perfeitamente se enquadram na minha experiência.
Vem de encontro aquilo que defendo desde sempre, que o paternalismo/maternalismo, que por vezes se quer fazer passar como bons cuidados de enfermagem, não passam de uma maneira de manter a vulnerabilidade do doente e consequentemente a sua dependência. Promover a autonomia é sem dúvida, o objectivo final dos cuidados de enfermagem.
A cada dia que passa sinto-me mais motivado. Iniciou-se hoje mais um módulo da P.G., Narrativas de Vida. Há alguns anos apliquei esta metodologia de formação e realmente, é um domínio de bastante interesse e que se enquadra naquilo que realmente penso sobre formação. Não só em termos formativos é benéfico, como também, em termos da nossa saúde mental adquire uma importância fundamental. Contarmo-nos e escrevermo-nos é um exercício, que encerra em si, uma construção interior para quem o consegue fazer. Sem duvida, que um povo só cresce quando tem consciência da sua própria história. Não se refugia em medos e preconceitos, mas a enfrenta, a encara e a enaltece, nos seus domínios positivos e negativos. Aproveita os positivos para continuar, analisa os negativos para melhorar. Penso que as narrativas de vida também contêm este processo de crescimento pessoal.
A aula foi introdutória, mas já se vislumbrou por que caminhos, pode enveredar. Falámos de narrativas de vida e de “empowerment”, onde na nossa história de vida tivemos perante a situação de dar poder ou ter o poder de decidir sobre a nossa vida.
A hora de almoço mais uma vez foi um momento de conhecimento dos colegas, das experiências, das expectativas. È sempre um momento formativo, estas conversas desprovidas de qualquer outro objectivo que não de conhecer e dar a conhecer. Fala-se efectivamente de nós, dos outros e de enfermagem. Analisar estes conteúdos à posteriori era motivo para algumas páginas de análise.
À tarde mais uma aula de relação de ajuda e de processo de aconselhamento. Falou-se de transferência e contratransferência e identificação projectiva. À partida, pode dar a ideia que nada se avançou, pois já na última aula, tínhamos abordado esta temática. O que me parece é que agora estes temas estão muito melhor percebidos, pois foram utilizados exemplos em contexto de trabalho. Existe na turma um melhor aproveitamento destas aulas. A mim, sempre me fez confusão a educação bancária, prefiro sem duvida a educação problematizadora. Parece-me que é por este caminho que estamos a ir, o que me agrada verdadeiramente.
Ouvi nesta pós graduação no início, que ela é, aquilo que nós quisermos que ela seja. Até agora foi essa a linha que me guiou, a partir de agora, devido a sobrecarga do horário de trabalho, irá ser aquilo que o tempo deixar ser. Não que não irei pensar nas problemáticas analisadas, mas será que irei ter tempo de as escrever?

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Dias de Aulas de uma P.G. III


Hoje era um dia diferente, uma vez que só teria de entrar ás 11h30m. Teria hoje a primeira aula de supervisão de cuidados. Dois grupos, 10 estudantes, 2 professores. A expectativa era alta uma vez que pouco ou nada sabíamos sobre o que se iria passar. Tinham-nos dito que era como fazer teatro, mas mais nada tinham adiantado. Começámos então a construir o nosso átomo social, que consta em colocarmos os vários actores na nossa vida, neste caso, profissional em determinadas posições, perto, longe, virados para nós ou de costas para nós, consoante a proximidade das pessoas ou dos grupos profissionais. Neste primeiro exercício de representação de átomo social, foi definido que todos os estudantes iriam representar os seus contextos profissionais, no domínio das relações entre profissionais nas instituições em que trabalhamos.
Ao analisar o que se passou, há que realçar os sentimentos dos indivíduos que estavam a representar o seu átomo social pareciam vir à flor da pele. Notou-se algum nervosismo, quando tomávamos o lugar de quem colocávamos à nossa volta e dizíamos o que pensávamos, sobre a opinião que os outros têm de nós.
Pareceu-me interessante e mesmo terapêutico ver-me com os olhos dos outros. Notoriamente, conseguimos uma visão externa de nós. Olharmo-nos com os olhos do outro, é sem dúvida, uma visão privilegiada, pois permite que analisemos as relações de dois pontos de vista, o meu e o do outro. Mesmo que a visão do outro seja condicionada por aquilo que eu acho que ele pensa de mim. Pode, evidentemente, conter erros de avaliação mas, sem dúvida, pode ser um ponto de partida para nos conhecermos melhor e conhecermos melhor o outro.
Construí um átomo social, baseado no Serviço de Pneumologia. Pareceu-me fácil fazer esta construção uma vez que me parece claro a posição que ocupo no serviço, assim como as relações tenho com os diversos profissionais. No entanto, quando me foi pedido para me colocar na posição desses actores e dizer aquilo que eu acho que eles pensam de mim, já não foi tão claro.
Foi difícil, uma vez que senti que poderia ser injusto com uns e não muito rigoroso com outros. O que me pareceu que aconteceu, foi aquilo que eu acho que eles pensam de mim e não aquilo que na verdade eles pensam, pois provavelmente alguns nunca manifestaram, o que pensam sobre mim, assim como, eu também nunca lhes disse o que penso deles. O que me leva a pensar que, provavelmente, as relações menos conseguidas não são por falhas dos outros, mas também por algumas falhas minhas.
A aula da tarde era novamente sobre ética. Primeiro elegeu-se o representante da turma, foi um processo democrático e unânime, uma vez que o eleito nem estava presente.
Hoje o dia académico “in loco” é bastante reduzido, as aulas só começaram ás 15 horas. Cheguei à escola ainda não tinha ninguém chegado. Pouco a pouco, os colegas foram chegando. Falámos sobre as férias, sobre o tempo enfim sobre tudo aquilo que também faz parte de um início de relacionamento. Perguntei como iam as reflexões e os portfólios de dois colegas, inteirei-me das suas intenções.
Chegou o professor Joaquim com outro professor que nos apresentou. Começou a aula. Naquele início, senti frieza de relacionamento. Depois com o passar de alguns minutos correlacionei as parecenças morfológicas e de postura do professor com as de um actor conhecido, e sorri. Não sei se de propósito ou não mas aquela atitude entrou, fez despertar as nossas mentes, senti uma certa leveza no ambiente. O que é certo é que aquilo que nos estava a ser transmitido fazia todo o sentido. Falava-se de relação de ajuda e do processo de aconselhamento. Falava-se de conteúdo manifesto e latente, falava-se de dar sentido depois de ser pensado, de dar autonomia ao outro, de noção de limites, de actos e factos, de transferência e contra transferência, enfim falava-se de muita coisa que encaixavam umas nas outras e que faziam todo o sentido no processo de aconselhamento e também na relação de ajuda.
Sempre fui muito de paixões, sempre fui muito de empatias. Senti empatia por quem diz e pelo que foi dito. Senti que realmente teria muito a aprender. Espero com manifesta curiosidade para o que reserva ainda estas aulas.
Cheguei a casa e continuei as minhas pesquisas. Estou a “atacar” em várias frentes. Este diário, que penso que é o pilar das minhas reflexões pessoais, não por conter nada de muito cientifico com recurso a autores, mas é a partir de aqui que inicio estas pesquisas.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Dias de Aulas de uma P.G. II


Cheguei à escola e tive a 1ª aula do dia, esta aula tinha como objectivo principal que aos estudantes manuseassem melhor o suporte informático, para poderem aceder à base de dados, de motores de busca de artigos científicos sobre a área da pós-graduação. Fiquei com a noção que iria utilizar pouco este suporte, uma vez que os artigos se apresentam na sua maioria em inglês. No entanto, estive com a maior atenção.
Quando esta aula acabou, fiquei sem nada para fazer, uma vez que só teria nova aula à tarde. Por isso, juntámo-nos alguns estudantes em redor de uma mesa e aproveitámos para nos conhecermos melhor. Foi então criado o e-mail da turma e falámos sobre as nossas experiências profissionais. Foi sem dúvida produtivo, pois, em redor da mesa estávamos uns seis enfermeiros, todos com percursos diferentes na enfermagem, como na vida. Confirmei aquilo que já tinha desconfiado. Era naquela mesa o único que ainda não tinha trabalhado em Psiquiatria. Também fiquei com a impressão que talvez isso não seria uma desvantagem, pois entraria de espírito aberto para este curso e tentaria aprender o mais possível com os colegas.
Chegaram as 15 horas. Sinceramente tenho que revelar que estava um pouco ansioso, sobre a aula que aí vinha. Íamos iniciar o módulo da ética. Foi como eu esperava, Justiça, Compaixão, Aristóteles, Nussbaum. Aí vamos nós, embarcando num pensamento crítico e escutando também as nossas consciências. No fim de 2 horas tinha acabado, mas já tinham passado 2 horas? Nem dei por isso. Mais uma vez fui para casa a pensar naquela aula e em como o trabalho já me esperava, muito para ler, muito para pensar, alguma coisa para escrever.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Dias de Aulas de uma P.G.



Estava a caminho de Setúbal, sentia-me um pouco ansioso. Estava prestes a iniciar mais uma etapa na minha formação. Sinto-me entusiasmado, penso ter feito a escolha certa para o meu percurso profissional. È claro que não isento de riscos, estou a apostar numa área para a qual não tenho formação prévia específica. Por outro lado sinto que é um desafio ás minhas capacidades. A área da Saúde Mental é sem dúvida motivante, não deixando de ser desconcertante, isto se pensarmos na área que a partir de agora vai passar ser o meu foco de interesse. Desde o meu curso base, que me despertou interesse esta área, sem no entanto ter investido nela. Sinto por isso, que este desejo esteve a amadurecer, como se estivesse a hibernar durante estes anos.
Cheguei à escola, estava a começar a apresentação do curso. O auditório estava cheio. Foi com interesse que acompanhei a exposição do professor. Sentia-me em casa. Voltava a ver rostos conhecidos que, há 3 anos atrás, me fizeram ver a profissão de uma outra forma. Por outro lado, foi aquela equipa de docentes que ajudou a conhecer-me melhor e a acreditar que consigo, mesmo com bastante esforço pessoal, atingir os objectivos a que me proponho.
Chegou a hora de falar a professora Lucília Nunes. Nada mudou, está ainda mais desconcertante e motivadora. Sorri para mim mesmo, quando me lembrei daquelas aulas de ética, de como tentava “desfragmentar” aquelas aulas durante uma semana tentando reflectir sobre o que tinha sido falado.
Nas pausas, tentava vislumbrar alguns rostos conhecidos que pudessem estar na mesma situação que eu.
NADA.
No meio de tanta gente não vi ninguém conhecido. No final da cerimónia encontrei alguém conhecido, outro e outro. Á pergunta para onde entraste, a resposta era a invariavelmente a mesma, vou para a Pós Graduação Médico-Cirúrgica. Ou era para o elenco A ou B.
Saúde Mental, nada.
Mais tarde, os estudantes da Pós Graduação de Saúde Mental reuniram-se então. Descortinei duas ou três caras conhecidas, que em tempos partilhámos o tempo, neste ou naquele serviço onde trabalhei.
Entrámos.
O professor apresentou a pós graduação. Mais uma vez tive a sensação de um “dejá-vu”, só que desta vez não se falava de lagartos e dinossauros, mas sim do que nos espera no próximo ano lectivo, quiçá com sorte, no próximo ano e meio.
As “hostilidades” começaram. Iniciaram-se as aulas. Começou-se a debater as nossas visões sobre a relação de ajuda. Principalmente fez-se um enunciado sobre o que a turma quer aprender.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Ética - Filme

Nota - Este filme foi montado, utilizando dois filmes existentes no youtube.

Ética - Filme

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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Direitos dos Doentes na Lei da Saúde Mental



Doença mental é definida por Townsend (2002, p.15), como uma “resposta desajustada a factores de stress do ambiente interno ou externo, evidenciada por pensamentos, sentimentos e comportamentos que não são congruentes com as normas locais e culturais e interferem no funcionamento social, ocupacional e/ou físico do individuo”.
Captron (et al) no prefácio do Livro de recursos da OMS sobre Saúde Mental, indica que “ a legislação pode ser utilizada para garantir mais recursos para a saúde mental, melhorar os direitos e os padrões e condições de saúde mental em um país”.
Os indivíduos com doença mental têm na lei Portuguesa direitos que lhe são conferidos pela lei da Saúde Mental (lei nº 36/98, de 24 de Julho). Assim, segundo esta lei “a protecção da saúde mental efectiva-se através de medidas que contribuam para assegurar ou restabelecer o equilíbrio psíquico dos indivíduos, para favorecer o desenvolvimento das capacidades envolvidas na construção da personalidade e para promover a sua integração critica no meio social onde vive”.
Nesta lei existem alguns direitos que estão bastante vincados, são eles o direito à informação, o direito ao tratamento, o direito à dignidade e o direito a estar em contacto com a família.
Relativamente ao direito à informação, segundo o artigo 5º, alínea 1, os doentes têm direito a serem informados dos seus direitos e do tratamento que lhes vai ser efectuado.
A alínea (d) e (e) centram-se no direito do doente dar ou recusar consentimento relativamente à terapêutica e tratamentos. Trata-se de consentimento informado, assim sendo, o doente deve compreender o tratamento, na perspectiva de resultados e efeitos da recusa.
A alínea (f) assenta na manutenção da dignidade, uma vez que versa sobre condições de habitabilidade, higiene, segurança, alimentação, respeito e privacidade.
A alínea (g) respeita o direito a visitas, podendo o doente ser visitado por quem desejar.
O princípio subjacente à lei da saúde mental é o da Não-Maleficência. Este princípio propõe a obrigação de não infligir dano intencional. O doente de Saúde Mental, devido à sua situação clínica encontra-se numa situação de bastante vulnerabilidade. Pode-se considerar uma pessoa vulnerável quando um indivíduo se encontra numa situação de desigualdade relativamente à sociedade envolvente, por exemplo por motivos de saúde. Esta desigualdade faz com que estes indivíduos se sintam menos capazes de, pelo menos, expressar livremente a sua vontade. O que se pretende é que este indivíduo desenvolva o Princípio de Autonomia. Uma pessoa autónoma, é capaz de decidir sobre os seus objectivos pessoais e agir na direcção dessa decisão. Uma vez que a doença mental compromete a autonomia, assim como a institucionalização, compete aos profissionais de saúde respeitar essa autonomia, pois assim, valorizam as opiniões e as escolhas da pessoa que se encontra num momento delicado da sua vida.
Depois do Principio da Não-Maleficência estar definido na lei de Saúde Mental, também o Principio de Beneficência está implícito, este princípio estabelece que devemos fazer o bem aos outros, independentemente de desejá-lo ou não. Townsend (2002, p.741) indica que. “a beneficência refere-se ao dever da pessoa de beneficiar ou promover o bem dos outros”, e, “ o dever de respeitar a autonomia de uma pessoa pode ser sobreposto quando se julga que uma pessoa pode ser danosa para si própria e para os outros”. Acima de tudo, a lei estabelece o respeito à pessoa com doença mental. Estabelece uma norma para evitar a discriminação do indivíduo, que está internado por vontade própria ou não. Taylor (1992, p.18) caracteriza internamento voluntário como “baixa e alta do indivíduo via própria assinatura”, enquanto que internamento compulsivo “é feito por alguém outro do que o próprio doente”, devido a, e como refere Neeb (2000,p.51), “comportamentos que os tornam potencialmente perigosos para si ou para os outros”.
Quanto ao papel que o enfermeiro deve ter em relação ao doente de saúde mental, consiste em respeitar o princípio da Não-Maleficência, pois em primeiro lugar parece-me que a atitude perante este doente é não piorar a situação dele e depois reger-se pelo princípio da Beneficência.
Relativamente ao papel que o enfermeiro deve desempenhar no que concerne aos direitos dos doentes contemplados na lei de saúde mental, o profissional deve reger-se pela veracidade. O doente de saúde mental apesar de estar internado numa instituição deverá ser informado dos seus direitos. Neeb (2000, p.56) refere que o enfermeiro deve explicar “ao doente o significado desses direitos”. No que concerne aos direitos (d) e (e), os enfermeiros devem, segundo Neeb (2000, p.53), “reforçar as explicações dadas pelo médico, sobre o tratamento”, averiguar se o doente entendeu todas as explicações relativamente ao tratamento e o que poderá advir da recusa do tratamento. Quanto ao direito da alínea (g) o enfermeiro deve, no entender de Neeb (2000, p.54), “verificar, no momento da admissão quem visitará regularmente o doente” tendo a preocupação de questionar o doente e a família se existe alguma visita que possa ser indesejada, por motivos de segurança. Há que ocasionalmente, segundo Neeb, registar rigorosamente o estado físico e emocional do doente após a visita.
Outro dos pontos que me apraz verificar na lei de Saúde Mental é que, sem dúvida, existe uma melhor defesa dos direitos dos doentes no que concerne ao internamento compulsivo.
Segundo a Lei nº 36/98 de 24/07 relativamente ao internamento compulsivo regulamentado pelo capítulo III, considera que o internamento compulsivo é um internamento por decisão judicial do portador de anomalia psíquica grave. O artigo 8º determina que “o internamento compulsivo só pode ser determinado quando for a única forma de garantir a submissão a tratamento do internado e finda logo que cessem os fundamentos que lhe deram causa”, está então nesta alínea definido, que o internamento compulsivo não poderá ser efectuado sem outro objectivo de tratar algum problema grave específico durante um período de tempo limitado. Na linha 3 este artigo refere que, “ sempre que possível o internamento é substituído por tratamento em regime de ambulatório”, esta ressalva no artigo permite que a situação quando não apresentar maior gravidade, possa ser acompanhada em regime ambulatório, o que reforça o regime de excepção do internamento compulsivo. Este internamento compulsivo só pode ser efectuado com autorização judicial. Mesmo que haja vontade médica pois, também a Declaração Universal dos Direitos do Homem no seu artigo 9º exige que, “ninguém pode ser arbitrariamente preso detido ou exilado”.
Cabral refere que o internamento compulsivo encontra fundamento, na perigosidade que o indivíduo, portador de doença psíquica grave, representa para a sociedade. No entanto, nesta circunstancia algumas premissas têm que ser respeitadas e sem probabilidade de serem violadas, uma vez que o artigo 1º da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia refere que a “dignidade do ser humano é inviolável. Deve ser respeitada e protegida”. A mesma Carta refere no artigo 6º que “todas as pessoas têm direito à liberdade e à segurança”, no internamento compulsivo apesar de o direito à liberdade estar em causa, é no direito à segurança que este internamento pode ser posicionado, segurança esta, tanto do próprio doente como daqueles que o rodeiam. No entanto, a mesma carta indica no capítulo III artigo 21º que, “é proibida a discriminação” e no artigo 26º, “ reconhece e respeita o direito das pessoas com deficiência a beneficiarem de medidas destinadas a assegurar a sua autonomia, a sua integração social e profissional e a sua participação na vida da comunidade”.
Por tudo isto, internamento compulsivo deve ser aplicado somente em casos especiais e justificáveis e, deverá ter o seu termo logo que cessem os fundamentos que lhe deram causa, já que também a Declaração de Direitos das Pessoas Deficientes de 09/12/75 indica que, “as pessoas com deficiência têm o direito de viver com as suas famílias”.

domingo, 14 de outubro de 2007

Cuidados Continuados Psiquiátricos.Será que é desta?


Entende-se por cuidados continuados, segundo o Ministério da Saúde, Sub-região de Saúde de Lisboa (1999, p. 2), “todos os cuidados prestados, pela saúde independentemente dos dias de prestação”
Prestar cuidados de enfermagem no domicílio permite uma percepção global de toda a família e de toda a sua dinâmica. Possibilita ao enfermeiro identificar recursos/necessidades e a partir daí planear a sua intervenção. Sendo assim, deve criar uma relação abrangente com a família e não só com o utente, para que também a envolvência da família enquanto cuidadora seja valorizada.
Como nos diz Chinoy (1993, p.231), “Quando forças externas destroem práticas tradicionais ou papéis e relações estabelecidas, tendem a ocorrer mudanças estruturais à proporção que os membros da família se adaptam às novas situações”. Assim, os cuidados continuados domiciliários têm como principal função dar continuidade aos cuidados de saúde necessários ao utente, muitas vezes iniciados no hospital e que, depois da alta são prolongados no domicílio. Com um atendimento domiciliário adequado, a família ganha progressivamente uma confiança na capacidade de cuidar do utente e na sua organização interna, de forma a integrar a situação de doença no seu funcionamento e uma vez que, segundo o relatório da OMS (2001, p. 102), “As famílias desempenham papel chave na atenção dos doentes mentais. As responsabilidades estão a ser transferidas para as famílias. Estas podem ter impacto positivo ou negativo em função da sua compreensão, conhecimento, aptidões e capacidade de dar atenção às pessoas afectadas por transtornos mentais. Uma importante estratégia baseada na comunidade é ajudar as famílias a compreender as doenças, estimular a adesão à medicação, reconhecer os primeiros sinais de recorrência e assegurar a pronta resolução de crises. Isso resultará numa recuperação melhor e reduzirá a incapacidade social e pessoal. Enfermeiros que trabalhem em cuidados continuados e outros trabalhadores em saúde podem desempenhar importante função de apoio, assim como o podem fazer as redes de grupos de ajuda mútua para as famílias”.
Perante a alta do utente dependente, a família suporta um esforço imenso para cuidar dele e esta é a realidade mais difícil e mais dura de enfrentar, porque desconhece os cuidados e técnicas necessárias para cuidar do utente e, por outro lado, existe o medo de errar na sua assistência. Quando os cuidados são prestados no domicílio o utente cria confiança porque está no seu meio familiar e, por outro lado, a presença dos técnicos facilita a aceitação da família face à doença. Assim, parece-me evidente a necessidade que os doentes com perturbações mentais e as suas famílias, têm de cuidados continuados para atenuar as alterações a que estão sujeitos e ajudar a que estas famílias não entrem num processo de desagregação.
O enfermeiro assume aqui um papel de terapeuta familiar, segundo Townsend (2000, p. 135), “ o individuo tanto contribui para os estresses na família como responde a eles”. Logo, o objectivo do enfermeiro que desempenhe funções de cuidados continuados a famílias com doentes com perturbações mentais deve, segundo Townsend (2000, p. 136), “facilitar a mudança na estrutura familiar”, com para uma melhor adaptação. Para isso o enfermeiro tem um papel de integrador da família, devendo-se unir à família para que possa haver reestruturação. È necessário também haver uma avaliação da estrutura familiar uma vez que a família do doente com perturbações mentais é segundo Townsend também ela uma família problemática. Nesta avaliação analisam-se, como afirma Townsend (2000, p. 136), “os padrões transicionais, a flexibilidade e o potencial de mudanças do sistema, limites e estágio de desenvolvimento da família e o papel do paciente identificado no sistema”. O passo seguinte do enfermeiro será, reestruturar a família, estabelecendo uma aliança, tornando-se parte dessa mesma família, podendo manipular o sistema e facilitar as circunstâncias para permitir mudanças estruturais. È também, papel do enfermeiro segundo Taylor (1992, p. 409), “ ajudar na resolução de conflitos patológicos e ansiedade; dar condições de o paciente lutar contra forças destrutivas, tanto dentro de si mesmo quanto dentro da família; fortalecer a família contra perturbações criticas e influenciar a identidade familiar e de seus valores próprios, no sentido de formar um ambiente saudável”.
Com a criação de serviços de cuidados continuados de apoio a doentes com perturbações mentais e às suas famílias, atendia-se as seguintes recomendações do relatório sobre saúde no mundo. Saúde mental: nova concepção, nova esperança, 2001:
Proporcionar atenção na comunidade
“A atenção baseada na comunidade tem melhor efeito sobre o resultado e a qualidade da vida das pessoas com transtornos mentais crónicos do que o tratamento institucional. (...), os serviços de saúde mental devem ser prestados na comunidade, fazendo uso de todos os recursos disponíveis. Os grandes hospitais psiquiátricos de tipo carcerário devem ser substituídos por serviços de atenção na comunidade, apoiados por leitos psiquiátricos em hospitais gerais e atenção domiciliar que atenda a todas as necessidades dos doentes que eram de responsabilidade daqueles hospitais.” (p. 113);

2. Educar o público
“Devem ser lançadas em todos os países campanhas de educação e sensibilização do público sobre a saúde mental.” (p. 113);

3. Envolver as comunidades, as famílias e os usuários
“As comunidades, as famílias e os usuários devem ser incluídos na formulação e na tomada de decisões sobre políticas, programas e serviços.” (p. 113);
7. Preparar os recursos humanos
“Aumentar e aprimorar a formação de profissionais para a saúde mental, que darão atenção especializada e apoiarão programas de atenção primária de saúde.” (p. 113);
8. Formar Vínculos com outros sectores
“Outros sectores além do da saúde, como educação, trabalho, previdência social e direito, bem como certas organizações não-governamentais, devem ter participação na melhoria da saúde mental das comunidades”. (p. 114);
9. Monitorizar a saúde mental na comunidade
“A saúde mental das comunidades deve ser monitorizada mediante a inclusão de indicadores de saúde mental nos sistemas de informação e notificação sobre saúde. Os indicadores devem incluir tanto o número de indivíduos com transtornos mentais e a qualidade da atenção que recebem como algumas medidas mais gerais da saúde mental das comunidades.” (p. 114);

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

voltando a falar de formação

A Educação “bancária” que Freire descreve, o Modelo Escolar de Nóvoa parece-me ir já bastante longe, quando se fala de autoformação. A autoformação é um processo formativo que atribui a cada um de nós um lugar central no próprio processo de formação de cada um. O indivíduo quando se (auto) forma inclui toda a sua vida, aproveitando as experiências pessoais e profissionais.
Lembro-me da metáfora do retrovisor, quando conduzimos olhamos para a frente. Mas por vezes quando necessário, olhamos para o retrovisor para nos orientarmos, para olharmos para o caminho percorrido para um ou para outro obstáculo que enfrentámos. No entanto, depois olhamos para a frente e continuamos o nosso caminho.
Num processo de autoformação é isso que o indivíduo tem que fazer, olhar para trás, reflectir nas experiências vividas e utilizá-las para resolver problemas futuros. Esta aprendizagem só é possível se utilizarmos as nossas histórias de vida e as experiências formadoras nelas contidas.
Por vezes em contexto de trabalho, quando acontece algo de novo, mobilizamos todos os nossos conhecimentos, não só os que um percurso académico pode fornecer, mas também outro tipo de experiências. Quando estas situações são analisadas concluímos que “foi uma experiência muito proveitosa…” ou “ foi muito educativo para todos nós…”. É nesta linha da experiência e da educação que procuramos e encontramos a autoformação.
Um indivíduo apesar de ser uno, não é só. Como tal, coexiste em sociedade e com o meio que o rodeia. A formação do indivíduo não está somente dependente do seu eu, mas também é influenciada pelos outros e pelos estímulos das coisas que o rodeiam.
Canário, nas suas obras faz alusão ás necessidades de formação. Destaca que as necessidades de formação de um indivíduo não são obrigatoriamente as dos outros indivíduos pertencentes ao grupo.
Quando se fala em necessidades, ou no método da sua recolha, subsiste uma extensa variedade de abordagens, que de algum modo dificultam a sua cientificidade. Várias são as tipologias apresentadas por diversos autores acerca da palavra necessidade.
Na linguagem corrente, ela assume duas conotações: uma objectiva e constrangedora, e porque inevitável tem uma existência objectiva, e uma subjectiva, que resulta de um sentimento pessoal de uma certa exigência, tal como refere Canário, também Barbier e Lesne indicam que (1977, p.20) “não é possível constatar necessidades objectivas”; a vida social não confere à observação científica, objectos que se possam considerar necessidades objectivas, a não ser aquelas (ex. exigências alimentares), que se revestem de uma força social particular. O que realmente existe são expressões de necessidades formuladas por diversos agentes sociais, muitíssimo variadas não só em relação ao seu conteúdo como ao modo como se manifestam.
O processo de expressão de uma necessidade, segundo Barbier e Lesne (1977), constitui uma prática, devendo ser analisada como tal e como outro qualquer objecto das ciências sociais. Este permite alcançar um produto especifico, que mais não são que os objectivos pela acção dos indivíduos e pelos grupos, sendo assim, um processo de transformação. Ainda e segundo os mesmos, toda a expressão de necessidades é uma expressão de necessidades em situação; esta é criada, quer por constrangimentos profissionais (ex. promoções), quer por constrangimentos institucionais (ex. aquisição de diplomas), quer ainda por constrangimentos pedagógicos (ex. aquisição de conhecimentos). Todos eles, evoluem de acordo com o desenvolvimento social, o que por sua vez, faz evoluir também as expressões de necessidades.
Em certos aspectos exprimir uma necessidade é retraduzir num certo campo de constrangimentos, os objectivos anteriormente produzidos em outros campos. Todo este processo encontra-se ligado a um grande número de actores sociais que nele podem intervir (ex. direcções de empresas, hierarquias...), podendo neles persistir objectivos, interesses e necessidades completamente diferentes. O facto de as necessidades exprimirem desígnios individuais e/ou colectivos significa, que num mesmo indivíduo, grupo ou sistema, possam persistir necessidades antagónicas e conflituais, apelando assim, para “práticas de negociação e concertação” de perspectivas de ambos os lados.
Quantas vezes nos hospitais onde trabalhei, se fez e continua a fazer o levantamento anual das necessidades de formação. O responsável da formação apresenta um questionário onde os enfermeiros colocam as suas necessidades formativas. Por fim, são apresentados os resultados e a multiplicidade de temas a abordar é alarmante. Não raras vezes que no fim do ano apenas uma ínfima parte é abordada, por falta de tempo, de motivação, etc.
Quantos enfermeiros contestam que as suas necessidades formativas não foram satisfeitas e frequentaram outras formações que não lhes proveu qualquer novo conhecimento.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Hgo/ Serviço de Psiquiatria





Hospital Garcia de Orta e a fachada do Serviço de Psiquiatria, novinho em folha.

domingo, 7 de outubro de 2007

FAZ HOJE 16 ANOS...




Faz hoje 16 anos que entrei no Curso Superior de Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem de Portalegre. Foi aqui que tudo mudou, cresci, amadureci, fiz-me homem e profissional. Guardo boas recordações desses anos inaugurais.
Sobretudo, tendo como presente a noção, que valeu a pena.
Um abraço, a todos aqueles que me acompanharam nesta minha jornada de 16 anos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Técnicas Expressivas


Quando se aplicam técnicas expressivas, o doente é acima de tudo estimulado a criar competências que lhe permitirão viver a sua vida de uma forma mais útil e satisfatória.
Relativamente ao doente com perturbações mentais o principal objectivo é a sua reabilitação psicossocial. O grande desafio como nos diz Pires (2006¸ p. 7) “o grande desafio que todo o ser humano enfrenta em situação de crise é o desafio da transcendência comprometida ao poder do eu impessoal, para se libertar dos sentimentos de pena para com nós próprios, medo e raiva que embora reais, são extremamente improdutivos”. Neste âmbito o enfermeiro tem um papel de terapeuta e acima de tudo de dinamizador da relação do doente com ele próprio, com a família, com o meio e com a sociedade. Este papel de dinamizador assume uma importância fundamental no processo terapêutico do doente uma vez que, por vezes, tem que se mobilizar as competências do doente adquiridas ao longo da sua vida, como fundamenta Pires (2006, p.9) “ o enfermeiro não se centra na doença e ajuda a procurar nesse passado, presente e futuro, o sentido e a energia para ultrapassar a situação”.
Para isso o enfermeiro pode, quando preparado, recorrer à psicoterapia. Psicoterapia é um processo de descoberta da realidade única em cada indivíduo. Cada pessoa constitui um mapa de vivências e percepções que pode ser alterado através da observação e avaliação das suas experiências. Os objectivos da psicoterapia segundo Neeb (2000, p. 151) prendem-se com
1. “Diminuir o desconforto emocional do doente.”
2. “Melhorar o funcionamento social do doente.”
3. “Aumentar as competências do doente para agir ou manter um desempenho apropriado a cada situação.”
Há então uma preocupação como nos diz Neeb (2000, p.151) de estimular “novas competências que conduzam a comportamentos de coping, uma atitude facilitadora de insight relativamente aos seus problemas”.
Uma das técnicas que podem ser utilizadas é o jogo. Elkonin (1998, p.164) caracterizando o jogo “assinala a sua propriedade dinâmica fundamental, a qual consiste em que, por uma parte, trata com fenómenos relativos ao nível da realidade, no sentido de que são acessíveis à observação de indivíduos não interessados, (…), e, por outra, em que está muito menos relacionada com as leis da realidade do que o comportamento em outra esfera que não seja lúdica”. O jogo assume assim o papel de uma ferramenta importante na reabilitação do doente, uma vez que podem investigar-se alguns problemas do movimento da esfera afectiva, mesmo sabendo que o jogo está na esfera da realidade. Apesar de tudo, o jogo não é irreal como nos diz Elkonin (1998, p.167) “ por isso tem a rigidez própria da realidade”. São muitas vezes utilizados jogos psicológicos em grupos, estes, tem como objectivo fundamental, como nos diz Manes (2007, p. 6) “ é proporcionar aos participantes uma experiência particular de aprendizagem”, fornecendo assim, “um nível base de estimulação capaz de activar processos que permitem a tomada de consciência das dimensões intrapsiquícas e relacionais do funcionamento humano”, facilitando, assim, alteração do modo de pensar, sentir e relacionar-se com o meio. Manes acrescenta ainda que “ em grupo é possível, então, trabalhar e estimular, (…), três dimensões do funcionamento psicológico humano: a dimensão emotivo-afectiva, a dimensão cognitiva e a dimensão experiencial” (p.6).
Quando se programa uma dinâmica de grupo, deve-se ter em conta o grupo que está perante nós. Sem dúvida que quanto mais heterogéneo o grupo for mais produtiva será essa dinâmica, no entanto, parece-me que há que ter em conta as pessoas e o seu estado de saúde. Por exemplo quando se programa um psicodrama, e temos um grupo onde predominam pessoas com síndromes depressivos, o animador dessas sessões deve ter em conta que, como refere Vieira (1999, p. 30), “como o individuo inibe a sua espontaneidade, interligando falsos papeis rígidos e estereotipados”, pretende-se assim, “ quebrar a rigidez através do libertar da espontaneidade e da criatividade encarcerada na carapaça depressiva”. É importante desde logo, segundo Vieira (1999) permitir que o grupo acompanhe o doente desde o início e fomentar a coesão do grupo para permitir aumentar a auto-estima. Deve-se utilizar a técnica de do espelho ou o jogo da representação de papéis (p.31),
Se por exemplo, no grupo, predominar elementos com perturbação de ansiedade o objectivo será aumentar o empowerment como refere Vieira (1999). Assim poder-se-á abordar o grupo utilizando técnicas de relaxamento (p.17).
Se o grupo tiver predominância de elementos psicóticos deve o profissional ter em conta que, como nos diz Vieira (1999, p. 132) “ o psicótico começa geralmente por desconfiar do que lhe é proposto dramatizar”, por isso o mesmo autor aconselha a técnica de substituição de papel, ou a técnica do espelho.
Há que referir que para se aplicar estas técnicas há que as dominar convenientemente, pois parece-me que se for para as fazer mal, mais vale não as fazer sob pena de contribuir para um aumento da ansiedade dos doentes do grupo.

Técnicas Expressivas

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terça-feira, 2 de outubro de 2007

Montargil








Montargil - A minha terra


filme - apneia do sono

O filme abaixo postado, foi elaborado no âmbito de um projecto operacionalizado por mim no intuito de educar para a saúde doentes com apneia do sono. Este projecto, foi construido em 2004 no Serviço de Pneumologia do Hospital Garcia de Orta. Este filme, continua ainda a ser projectado diáriamente, aos doentes que sofrem de apneia do sono e que recorrem a este serviço. Há que realçar que o filme original tem 21 minutos. O filme original contem testemunhos de doentes que foram retirados, pois as autorizações recolhidas só se referiam à projecção do filme no serviço.
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