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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

DE FÉRIAS ...CÁ DENTRO!!!




Depois da azafama que foi o verão, o inicio do outono, os projectos realizados, as vitórias do Benfica, mereço um descanso(zinho), até antes do Natal, época por estas bandas proibitiva no que diz respeito a férias.
Em Janeiro logo no começo, recomeçam as lides do Psikiatrices, conto vos contar como foi o regresso à escola na especialidade de saúde mental e psiquiatria na escola superior de saúde de Setubal.

Até lá: FELIZ NATAL E ENTRADAS FANTASTICAS E UM ÓPTIMO 2010 ( com nova grelha salarial satisfatória)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

FINALMENTE ...




Hoje em Diario da Republica foi publicado a autorização para a abertura da Pós Licenciatura em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria na Escola Superior de Enfermagem de Setubal. Esperava esta noticia à 2 anos, aconteceu agora, logo agora que estou matriculado na Pós Licenciatura de Saúde Mental na Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias.
De qualquer forma estou satisfeito e vou aguardar, aguardar, aguardar...
Também já é algo que estou habituado.


sexta-feira, 16 de maio de 2008

Nova Pós-Graduação Saúde Mental

Aconselho aos meus AMIGOS...







Para mais informações consultar www.ess.ips.pt

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Construção de Si, Cuidado e Compaixão


Muitas vezes ouvimos a expressão “ a felicidade não existe, o que existe são momentos de felicidade”. Para podermos opinar sobre esta expressão, parece-me obvio que é necessário pensarmos o que é felicidade. Felicidade pode ser definida como um estado de alegria, sem sentimento de culpa, Russel indica que felicidade é o objectivo de todo o ser humano. No entanto, o viver o dia a dia feliz é decisão de cada um de nós, cabendo aos outros poder influenciar, mas não decidir como é a nossa felicidade. Se considerarmos que a felicidade está intimamente e exclusivamente ligada ao prazer, então a frase faz todo o sentido uma vez que o prazer é efémero. O casamento, o nascimento de um filho, um momento de prazer sexual, são todos momentos repletos de prazer, no entanto efémeros. Por aqui, nunca poderíamos dizer que alguém atingiu a felicidade. Logo, se reportarmos a expressão para um domínio social, financeiro, da relação com os amigos ou mesmo na relação familiar, parece-me que a expressão pode ser considerada verdadeira.
Se reportarmos a expressão, para um domínio individual, da constante busca da felicidade, de dar valor aos aspectos mais ínfimos da nossa existência, numa constante simplicidade voluntária, dando valor a coisas do domínio do ser, diminuindo o valor do domínio do ter, então aí a felicidade já pode assumir um carácter permanente, logo já poderemos dizer que a frase não faz sentido. A felicidade está no nosso bem-estar, de como estamos bem física e mentalmente, de como não temos conflitos com os outros e sabemos perfeitamente quem somos e para onde caminhamos. Assume aqui a felicidade um domínio mais profundo de uma construção interior.
A nossa vida é cada um de nós que a constrói, lia eu outro dia a respeito da vida, que esta é como um tapete. A cor e o tecido já vêm prontos mas somos cada um de nós que o tece. Somos nós que fazemos a nossa vida e que percorremos o nosso caminho de construção individual, para isso é necessário realmente nos conhecermos. Os nossos pais, a nossa família, os nossos amigos, a sociedade em geral, dão-nos a cor e o tecido, mas quem constrói o tapete da nossa vida somos realmente nós, baseados naquilo que somos e que aprendemos. No entanto este tapete está sempre em construção desde o dia em que nascemos, é necessário que por vezes tenhamos a consciência do que foi vivido, para aprender com as experiências passadas. Ouvimos muitas vezes, que “somos um produto da sociedade em que vivemos”, que “foi a educação que teve”, isto muitas vezes para justificar más opções, caminhos menos bem conseguidos. Apesar de sermos bastante susceptíveis à educação dos nossos pais, somos também resultado das nossas experiências, o que quer dizer que seguimos o nosso caminho, mesmo que seja bastante diferente daquele caminho que nos foi indicado por quem nos deu educação. Por isso apesar de todo o tecido e cores que nos proporcionam, cabe ao indivíduo seguir o seu caminho, fazer as suas escolhas. Lembro-me da metáfora do retrovisor, quando conduzimos olhamos para a frente. Mas por vezes quando necessário, olhamos para o retrovisor para nos orientarmos, para olharmos para o caminho percorrido para um ou para outro obstáculo que enfrentámos, enfim, para o vivido. No entanto, depois olhamos para a frente e continuamos o nosso caminho, sem nunca o vivido deixar as suas marcas na nossa vida, sendo de extrema relevância naquilo que somos e interferindo decisivamente para aquilo que seremos.
Isto é, será sempre necessário para nos conhecermos melhor, que tenhamos o cuidado de olhar para trás, reflectir nas experiências vividas e utilizá-las para resolver problemas futuros. No entanto somos muitas vezes, neste percurso, atormentados por “fantasmas” que não permitem que nos possamos construir de uma forma saudável. È, de elementar importância que possamos pelo menos assumir a existência desses fantasmas, reflectindo sobre as nossas histórias de vida. Este exercício, que encerra em si, uma construção interior, para quem o consegue fazer sem se tornar fonte de sofrimento. Sem duvida, que um povo só cresce quando tem consciência da sua própria história. Não se refugia em medos e preconceitos, mas enfrenta, encara e enaltece, as suas vivências, nos seus domínios positivos e negativos. Aproveita os positivos para continuar e analisa os negativos para melhorar
Como nos diz Huxley experiência não é o que aconteceu contigo, mas o que fizeste com aquilo que te aconteceu. A história de vida de cada indivíduo é um processo singular de (re) construção individual.
Só tendo consciência do que somos, das nossas virtudes, das nossas fraquezas e limitações é que podemos eventualmente cuidar bem de nós. Não podemos ajudar o outro se, primeiro, não nos cuidarmos. É essencial vermo-nos de uma forma holística, para balizar convenientemente as nossas capacidades, os nossos limites, as nossas carências e as nossas fragilidades. Tenho a necessidade de por vezes olhar para dentro, fazer uma “re-flexão” sobre mim para conhecer o lugar que ocupo, e quem eu sou realmente. Existe, por vezes, a necessidade de transmitir aos outros uma ideia de quem somos, numa perspectiva de corresponder ás expectativas que por vezes não corresponde á verdade. Esta “dupla” personalidade cria, por vezes momentos de angústia de alguma frustração. Há por isso a necessidade de cuidarmos também de nós antes de cuidarmos do outro. Como é que alguém pode confiar em mim se eu não me cuido.
Depois é necessário clarificar o que o outro realmente representa para mim. No que concerne à enfermagem e assumindo que a relação de ajuda está presente em todos os domínios do cuidar, esta pergunta é essencial para que se consiga ter uma relação empática, justa e verdadeira. È necessário, em primeiro lugar, também ter auto-compaixão, antes de ter compaixão pelo outro. Compaixão é sem duvida um dos sentimentos mais nobres num ser humano. Não, quando é visto numa perspectiva de caridade, de sobranceria ou superioridade, mas quando é visto como o resultado do sentir verdadeiramente como seu o sofrimento do outro. Não é o mesmo que piedade ou algo passivo, pelo contrário, compaixão é ter a virtude de compartilhar o sofrimento do outro, é a capacidade de compartilhar a paixão do outro e com o outro, saindo do campo puramente individual para entrar no universo do outro. Desse modo, assume o sentido de empatia. É ver o outro de forma igual. Na perspectiva do cuidar assume -se como essencial a relação de ajuda, pois esta é apontada como uma das vias para a humanização da saúde. Assim, a relação de ajuda é entendida como uma forma de cuidar na perspectiva do cuidado, ou seja, o papel do profissional de saúde é ajudar o utente a satisfazer as suas necessidades fundamentais, acreditando que o utente possui os recursos que lhe são necessários para lidar com determinada situação, construindo a autonomia do utente.

domingo, 25 de novembro de 2007

Dias de Uma P.G. VIII

Novamente hoje só tivemos aulas no período da tarde. Foi a última aula do módulo Técnicas Expressivas. Hoje falámos do contexto teórico deste módulo. Foram observadas várias técnicas, desenho, modelagem e recorte. Mais uma vez como tem acontecido neste módulo sinto que posso aplicar estas técnicas no meu serviço. Tenho no entanto pena que estas aulas tenham terminado. Além de serem, sem dúvida, importantes no que concerne à minha aprendizagem, também para mim são como um escape de algum stresse acumulado.
Estamos a chegar ao fim do primeiro semestre, o trabalho acumula-se de uma forma quase impensável. Dizia eu a uma professora desta Pós-Graduação que é pena não ter mais tempo para trabalhar. Ela perguntou-me se “apetecia ter mais tempo”. Respondi que sim, mas não se trata de apetecer mas sim de necessidade. Necessito ter muito mais tempo para aprofundar as matérias dadas nesta Pós-Graduação.
Escrevo este texto, após ter olhado um pouco sobre o que fiz neste portfólio e, sinceramente, o volume de trabalho é considerável. Se agora sei tudo sobre o que escrevi e sobre o que li? Não sei. Se posso falar de tudo com segurança sobre tudo o que li? Talvez. Se me sinto satisfeito com o conteúdo deste portfólio? Sim. Embora do aprendido à aplicação desse aprendido ainda se imponha algumas distâncias, necessito acima de tudo, criar tempos e espaços para aplicar estas técnicas dadas e outras por mim pesquisadas e já em análise da equipa de enfermagem da qual faço parte, para efectivamente começar a mudar algo na vida das pessoas, com o que foi por mim aprendido.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Dias de Aulas de uma P.G. V




Era então hoje o dia da narração das histórias de vida. O grupo tinha sido estabelecido na aula anterior, consoante as experiências em outras situações pedagógicas semelhantes. O meu grupo é constituído por mim e mais três colegas mulheres.
Fui o primeiro a narrar a minha história de vida. Apesar de estar habituado a fazê-lo, não deixa de ser sempre uma nova descoberta e um novo encontro comigo, com o meu passado, com o meu vivido. Aspectos positivos que são exprimidos com sorrisos, e aspectos com carga negativa contados com mais emoção. Falei ininterruptamente durante cerca de 28 minutos. O sentimento de partilha é sem dúvida interessante, uma vez que estava-me a contar perante três pessoas, que apesar de colegas, penso ser a primeira vez que estava a falar com elas. A segunda colega falou com emoção, era a primeira vez que teve “coragem” para contar uma experiência traumática, senti que se encontrou com os seus “fantasmas”, senti-a inicialmente perdida, insegura e vulnerável. Com o passar do tempo o seu discurso passou a ser mais confiante, embora não disfarçasse a emoção.
A terceira colega a falar, pareceu-me uma mulher mais vivida e com os seus “fantasmas” dominados, era sem duvida uma história sofrida, cheia de desencontros e carregada de sofrimento. Pareceu-me alguém que já reflectiu este período da sua vida e finalmente encontrou o seu caminho.
A última colega a narrar a sua história de vida, prometeu que não falaria muito, uma vez que se sentia incapaz de se contar. Realmente teve bastante dificuldade, mas sentiu que aquele momento de partilha de experiências tinha sido genuíno e tentou partilhar com o grupo.
Ao analisar as histórias de vida, há sem duvida uma preponderância de movimentos negativos. O sofrimento é sem duvida o que é mais difícil de relembrar, embora porém, talvez seja aquele que mais necessidade teremos de partilhar. Ao contarmos momentos traumáticos, enfrentamos os nossos medos e inseguranças. Acredito que quando as contamos repetidamente estes nossos “fantasmas” passam a ter um peso bastante menor na nossa vida, conseguindo cada um de nós seguir com uma vida mais saudável.
Depois deste momento, tivemos reunião de supervisão de cuidados. A reunião com o professor, teve como objectivo, analisar o caminho percorrido na elaboração dos portfólios. Sinto que apesar de tudo, estou a desenvolver um trabalho que vai de encontro aquilo que se pretende, alem disso estou a sentir prazer em fazê-lo e estou sem duvida a aprender coisas sobre saúde mental, que para mim eram completamente desconhecidas.

sábado, 27 de outubro de 2007

Dias de Aulas de uma P.G. IV



Hoje é um dia em cheio, temos todo o dia aulas. Sinto-me um pouco cansado, dezasseis horas de trabalho todos os dias têm-me feito vacilar um pouco, e toldam-me um pouco o raciocínio. Introduzimos o estágio na P.G.
Foi definido o que era pretendido na construção do portefólio. Fiquei um pouco desiludido, pois a ideia que já tinha em mente para construir o meu portefólio já não é exequível, uma vez que tem de ser construído em suporte informático. Mas como tudo na vida, construir, reconstruir faz parte dos processos de formação e de crescimento pessoal, terei que me debruçar mais tarde sob a forma como irei apresentar a minha aprendizagem.
Foi mais tarde introduzido mais um módulo de Saúde Mental e Comunitária. Foi uma aula de exploração. Primeiro tentámos apontar a característica mais importante em nós. Curioso, perseverante, dinâmico, justo, persistente, verdadeiro e exigente, foram algumas das características que definiam o maior número de estudantes. Estas características, revejo-as nas capacidades e nas virtudes que o enfermeiro deve ter, eram estas, as características atribuídas à turma.
Há tarde, mais uma aula de ética. Desta vez estávamos a PG de saúde mental, e a PG de Médico-cirúrgica Urgência/Emergência. Falou-se de autonomia vs vulnerabilidade. De quanto mais autónomo o doente se encontra, menos vulnerável se sente e vice-versa. Senti que, cada vez mais estas questões fazem mais sentido, uma vez que perfeitamente se enquadram na minha experiência.
Vem de encontro aquilo que defendo desde sempre, que o paternalismo/maternalismo, que por vezes se quer fazer passar como bons cuidados de enfermagem, não passam de uma maneira de manter a vulnerabilidade do doente e consequentemente a sua dependência. Promover a autonomia é sem dúvida, o objectivo final dos cuidados de enfermagem.
A cada dia que passa sinto-me mais motivado. Iniciou-se hoje mais um módulo da P.G., Narrativas de Vida. Há alguns anos apliquei esta metodologia de formação e realmente, é um domínio de bastante interesse e que se enquadra naquilo que realmente penso sobre formação. Não só em termos formativos é benéfico, como também, em termos da nossa saúde mental adquire uma importância fundamental. Contarmo-nos e escrevermo-nos é um exercício, que encerra em si, uma construção interior para quem o consegue fazer. Sem duvida, que um povo só cresce quando tem consciência da sua própria história. Não se refugia em medos e preconceitos, mas a enfrenta, a encara e a enaltece, nos seus domínios positivos e negativos. Aproveita os positivos para continuar, analisa os negativos para melhorar. Penso que as narrativas de vida também contêm este processo de crescimento pessoal.
A aula foi introdutória, mas já se vislumbrou por que caminhos, pode enveredar. Falámos de narrativas de vida e de “empowerment”, onde na nossa história de vida tivemos perante a situação de dar poder ou ter o poder de decidir sobre a nossa vida.
A hora de almoço mais uma vez foi um momento de conhecimento dos colegas, das experiências, das expectativas. È sempre um momento formativo, estas conversas desprovidas de qualquer outro objectivo que não de conhecer e dar a conhecer. Fala-se efectivamente de nós, dos outros e de enfermagem. Analisar estes conteúdos à posteriori era motivo para algumas páginas de análise.
À tarde mais uma aula de relação de ajuda e de processo de aconselhamento. Falou-se de transferência e contratransferência e identificação projectiva. À partida, pode dar a ideia que nada se avançou, pois já na última aula, tínhamos abordado esta temática. O que me parece é que agora estes temas estão muito melhor percebidos, pois foram utilizados exemplos em contexto de trabalho. Existe na turma um melhor aproveitamento destas aulas. A mim, sempre me fez confusão a educação bancária, prefiro sem duvida a educação problematizadora. Parece-me que é por este caminho que estamos a ir, o que me agrada verdadeiramente.
Ouvi nesta pós graduação no início, que ela é, aquilo que nós quisermos que ela seja. Até agora foi essa a linha que me guiou, a partir de agora, devido a sobrecarga do horário de trabalho, irá ser aquilo que o tempo deixar ser. Não que não irei pensar nas problemáticas analisadas, mas será que irei ter tempo de as escrever?

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Dias de Aulas de uma P.G. III


Hoje era um dia diferente, uma vez que só teria de entrar ás 11h30m. Teria hoje a primeira aula de supervisão de cuidados. Dois grupos, 10 estudantes, 2 professores. A expectativa era alta uma vez que pouco ou nada sabíamos sobre o que se iria passar. Tinham-nos dito que era como fazer teatro, mas mais nada tinham adiantado. Começámos então a construir o nosso átomo social, que consta em colocarmos os vários actores na nossa vida, neste caso, profissional em determinadas posições, perto, longe, virados para nós ou de costas para nós, consoante a proximidade das pessoas ou dos grupos profissionais. Neste primeiro exercício de representação de átomo social, foi definido que todos os estudantes iriam representar os seus contextos profissionais, no domínio das relações entre profissionais nas instituições em que trabalhamos.
Ao analisar o que se passou, há que realçar os sentimentos dos indivíduos que estavam a representar o seu átomo social pareciam vir à flor da pele. Notou-se algum nervosismo, quando tomávamos o lugar de quem colocávamos à nossa volta e dizíamos o que pensávamos, sobre a opinião que os outros têm de nós.
Pareceu-me interessante e mesmo terapêutico ver-me com os olhos dos outros. Notoriamente, conseguimos uma visão externa de nós. Olharmo-nos com os olhos do outro, é sem dúvida, uma visão privilegiada, pois permite que analisemos as relações de dois pontos de vista, o meu e o do outro. Mesmo que a visão do outro seja condicionada por aquilo que eu acho que ele pensa de mim. Pode, evidentemente, conter erros de avaliação mas, sem dúvida, pode ser um ponto de partida para nos conhecermos melhor e conhecermos melhor o outro.
Construí um átomo social, baseado no Serviço de Pneumologia. Pareceu-me fácil fazer esta construção uma vez que me parece claro a posição que ocupo no serviço, assim como as relações tenho com os diversos profissionais. No entanto, quando me foi pedido para me colocar na posição desses actores e dizer aquilo que eu acho que eles pensam de mim, já não foi tão claro.
Foi difícil, uma vez que senti que poderia ser injusto com uns e não muito rigoroso com outros. O que me pareceu que aconteceu, foi aquilo que eu acho que eles pensam de mim e não aquilo que na verdade eles pensam, pois provavelmente alguns nunca manifestaram, o que pensam sobre mim, assim como, eu também nunca lhes disse o que penso deles. O que me leva a pensar que, provavelmente, as relações menos conseguidas não são por falhas dos outros, mas também por algumas falhas minhas.
A aula da tarde era novamente sobre ética. Primeiro elegeu-se o representante da turma, foi um processo democrático e unânime, uma vez que o eleito nem estava presente.
Hoje o dia académico “in loco” é bastante reduzido, as aulas só começaram ás 15 horas. Cheguei à escola ainda não tinha ninguém chegado. Pouco a pouco, os colegas foram chegando. Falámos sobre as férias, sobre o tempo enfim sobre tudo aquilo que também faz parte de um início de relacionamento. Perguntei como iam as reflexões e os portfólios de dois colegas, inteirei-me das suas intenções.
Chegou o professor Joaquim com outro professor que nos apresentou. Começou a aula. Naquele início, senti frieza de relacionamento. Depois com o passar de alguns minutos correlacionei as parecenças morfológicas e de postura do professor com as de um actor conhecido, e sorri. Não sei se de propósito ou não mas aquela atitude entrou, fez despertar as nossas mentes, senti uma certa leveza no ambiente. O que é certo é que aquilo que nos estava a ser transmitido fazia todo o sentido. Falava-se de relação de ajuda e do processo de aconselhamento. Falava-se de conteúdo manifesto e latente, falava-se de dar sentido depois de ser pensado, de dar autonomia ao outro, de noção de limites, de actos e factos, de transferência e contra transferência, enfim falava-se de muita coisa que encaixavam umas nas outras e que faziam todo o sentido no processo de aconselhamento e também na relação de ajuda.
Sempre fui muito de paixões, sempre fui muito de empatias. Senti empatia por quem diz e pelo que foi dito. Senti que realmente teria muito a aprender. Espero com manifesta curiosidade para o que reserva ainda estas aulas.
Cheguei a casa e continuei as minhas pesquisas. Estou a “atacar” em várias frentes. Este diário, que penso que é o pilar das minhas reflexões pessoais, não por conter nada de muito cientifico com recurso a autores, mas é a partir de aqui que inicio estas pesquisas.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Dias de Aulas de uma P.G.



Estava a caminho de Setúbal, sentia-me um pouco ansioso. Estava prestes a iniciar mais uma etapa na minha formação. Sinto-me entusiasmado, penso ter feito a escolha certa para o meu percurso profissional. È claro que não isento de riscos, estou a apostar numa área para a qual não tenho formação prévia específica. Por outro lado sinto que é um desafio ás minhas capacidades. A área da Saúde Mental é sem dúvida motivante, não deixando de ser desconcertante, isto se pensarmos na área que a partir de agora vai passar ser o meu foco de interesse. Desde o meu curso base, que me despertou interesse esta área, sem no entanto ter investido nela. Sinto por isso, que este desejo esteve a amadurecer, como se estivesse a hibernar durante estes anos.
Cheguei à escola, estava a começar a apresentação do curso. O auditório estava cheio. Foi com interesse que acompanhei a exposição do professor. Sentia-me em casa. Voltava a ver rostos conhecidos que, há 3 anos atrás, me fizeram ver a profissão de uma outra forma. Por outro lado, foi aquela equipa de docentes que ajudou a conhecer-me melhor e a acreditar que consigo, mesmo com bastante esforço pessoal, atingir os objectivos a que me proponho.
Chegou a hora de falar a professora Lucília Nunes. Nada mudou, está ainda mais desconcertante e motivadora. Sorri para mim mesmo, quando me lembrei daquelas aulas de ética, de como tentava “desfragmentar” aquelas aulas durante uma semana tentando reflectir sobre o que tinha sido falado.
Nas pausas, tentava vislumbrar alguns rostos conhecidos que pudessem estar na mesma situação que eu.
NADA.
No meio de tanta gente não vi ninguém conhecido. No final da cerimónia encontrei alguém conhecido, outro e outro. Á pergunta para onde entraste, a resposta era a invariavelmente a mesma, vou para a Pós Graduação Médico-Cirúrgica. Ou era para o elenco A ou B.
Saúde Mental, nada.
Mais tarde, os estudantes da Pós Graduação de Saúde Mental reuniram-se então. Descortinei duas ou três caras conhecidas, que em tempos partilhámos o tempo, neste ou naquele serviço onde trabalhei.
Entrámos.
O professor apresentou a pós graduação. Mais uma vez tive a sensação de um “dejá-vu”, só que desta vez não se falava de lagartos e dinossauros, mas sim do que nos espera no próximo ano lectivo, quiçá com sorte, no próximo ano e meio.
As “hostilidades” começaram. Iniciaram-se as aulas. Começou-se a debater as nossas visões sobre a relação de ajuda. Principalmente fez-se um enunciado sobre o que a turma quer aprender.