terça-feira, 20 de novembro de 2007

ESCRITA CRIATIVA



As perguntas que hoje mais me fazem são:
- Pai, o que andas tu a estudar? O que andas tu a aprender?
- É uma pergunta que ainda me coloco e que ainda não tenho resposta definitiva. O que já vos posso dizer é que ando a aprender em primeiro lugar a conhecer-me e talvez a compreender melhor os outros.
Sempre se disse que, quem escolhe o ramo da Saúde Mental / Psiquiatria, pretende essencialmente, ou tratar-se ou tratar os outros. Quando falo em tratar-se, ponho o termo no domínio do cuidar-se. Isto significa ver com outros olhos as nossas coisas, as nossas atitudes, o nosso posicionamento sobre as nossas coisas e com os outros e, reflectir sobre isso. È talvez reflectir sobre o vivido e aprender sobre nós, sobre o que somos e o que realmente fazemos, tanto a nível profissional como pessoal.
Quando falo sobre tratar dos outros é por mim entendido como cuidar de…, não ver o outro como uma perna, um braço, um pulmão ou um fígado, mas conhecê-lo como um todo, tendo em conta as suas experiências de vida, qual o sentido que quer dar à sua vida e o seu posicionamento sobre os seus assuntos e sobre as suas coisas.
O conhecer o outro não é como compor uma manta de retalhos. Assim como, eu para ser eu necessito dos outros, pois só com os outros eu me completo, também os outros que me rodeiam se completam comigo. Todos nós somos, assim como um cobertor, a cor e o fio são os outros que nos fornecem, mas somos nós que o tecemos.
- Pai, sendo assim, és como o Orelhas, que ajuda o Noddy a conhecer-se melhor e ajuda-o quando ele está triste?
- Não filhas, o Orelhas é como um guia, como a voz da consciência do Noddy. O pai não tem essa pretensão. Aquilo que o pai ambiciona é simplesmente ajudar os outros a superar momentos de crise.
- Pai, mas isso é o que faz o Senhor Lei, a Macaca Marta, o Orelhas, a Ursa Teresa.
- Sim filhas, somos todos nós que nos ajudamos uns aos outros a superar momentos de ansiedade e de crise. Provavelmente existe em cada um de nós um bocadinho dessas personagens do Noddy. Mas muitas vezes, mas mesmo muitas vezes, sou simplesmente o Noddy.

2 comentários:

Rosa Silvestre disse...

Uma maneira inteligente e bonita de explicar aos mais pequenos qual a finalidade da nossa aprendizagem. Também já passei pelo mesmo, só que na altura era o Picachú...RS.
Um bom fim-de-semana.

psikiatrices disse...

por vezes os meios justificam os fins,lol.