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terça-feira, 3 de maio de 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

FORUM DE SAÚDE MENTAL

FORUM DE SAUDE MENTAL
11 de Março de 2011
“Saúde Mental no século XXI: Intervir Mais “

Local: Auditório Principal do Campus da Asprela


Este fórum é realizado no âmbito do desenvolvimento académico do curso de MESMP do ICS.UCP do Porto e considerando o novo paradigma dos cuidados em saúde mental, em que o doente é integrado na comunidade, novos desafios se colocam aos profissionais, nomeadamente aos enfermeiros, na formação/prática.

OBJECTIVOS
• Promover a partilha do conhecimento/experiência no âmbito da Enfermagem de Saúde Mental;
• Realçar o trabalho do enfermeiro de saúde mental em alguns contextos da prática;
• Evidenciar as competências do enfermeiro de SMP no âmbito da equipa multidisciplinar, na comunidade;
• Divulgar o trabalho realizado pelos alunos da especialidade de ESMP, em estágio

PROGRAMA
9h - Abertura do Secretariado
9,30h – Mesa Redonda: Cuidados de Proximidade
Moderador: Luis Sá- ICS-UCP
Antónia Baptista: Coordenadora da UCC S. João Madeira
Sandra Moreira: ULS – Coordenadora da UCC S. Mamede Infesta
Jorge Oliveira – Director do Espaço T
11,00h Sessão de abertura:
Margarida Vieira: Coordenadora da Unidade de Ensino de Enfermagem da UCP
Germano Couto: Presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros
Carlos Sequeira: Presidente da SPESM
Emília Carvalho: Coordenadora do CMESMP-ICS-UCP do Porto
11,15h - Coffee break
11,30h – Mesa Redonda “ Proximidade nos Cuidados”
Moderadora : Regina Sousa ICS-UCP
Maria do Carmo Ferreira - Dep. de Psiquiatria do Hospital de S. Teotónio – Viseu
Margarida Sotto-Mayor: Serviço de Psicogeriatria do Hospital Magalhães Lemos
Sara Barbosa – Casa de Saúde do Bom Jesus
13,00h : Almoço
14,30h : Painel: Apresentação de Projectos / Comunicações Livres
Moderadora: Manuela Magalhães ICS-UCP
(Propostas em análise)
17,30h – Entrega de prémios (melhor Poster)
17,45 – Conclusões: Luís Sá ICS-UCP
18,00 - Encerramento

sábado, 29 de agosto de 2009

SENHOR DOS ANEIS E SAÚDE MENTAL





"Vida de juiz de Corte Superior. Estressante, quer pela quantidade de processos a resolver, quer pela responsabilidade de não se cometer injustiça ao deslindar os casos mais complexos. Perto de 50 processos a despachar por dia, cifra humanamente impossível de se dar conta, sem (ou mesmo com) uma assessoria qualificada e numerosa, em torno de 25 gabaritados bacharéis, mas que devem ser formados ad mentem judicem. Sessões longas de julgamento, em que nem sempre todos os elementos dos autos são dominados pelo julgador. E atendimento a advogados, que buscam convencer de que a razão está com seus clientes e esperam alguma sinalização de que terão ganho de causa. Tantas ocupações e preocupações, afora aulas, escritos, família e amigos, parecem não caber num dia de 24 horas. O recurso a Deus é contínuo, como sentido de tudo o que se faz, mas também para não perder a paciência e para resolver com sabedoria tantas causas e problemas alheios. Ingredientes suficientes para colocar à prova a saúde física e mental de qualquer um.

Vida não diferente da de tantos homens e mulheres da moderna sociedade de consumo e produção em massa, informatizada e globalizada, que se dedicam a ganhar o seu pão de cada dia com sacrifício nas mais diversas áreas de atividade humana (médicos, advogados, engenheiros, professores, comerciantes, empresários...), correndo atrás de clientes (para ter serviço ou receber por eles), estudando para passar em concursos (cada dia mais difíceis e concorridos), lutando para compaginar dois ou três empregos simultâneos (senão não se consegue pagar o aluguel do apartamento), enfrentando a concorrência desleal (desde o meio acadêmico ao negocial), suportando chefes iracundos e superlativamente exigentes (perfeccionistas mesmo) e procurando atender da melhor forma possível seus demais compromissos profissionais, familiares, religiosos e sociais. Há momentos em que, diante de tanta pressão e tensão (a corda do arco da vida está continuamente tencionada), dá vontade de repetir o que se viu numa pichação de muro de casa: Parem o mundo que eu quero descer!


Será que não existe alguma outra válvula de escape ou de proteção da sanidade física e mental dos habitantes do planeta submetidos à azáfama da vida moderna, em que a rapidez das respostas num mundo dominado pelos computadores leva à necessidade de que as decisões sejam também rápidas, para não se perder no jogo da vida? Josef Pieper (1904-1997), filósofo alemão, dizia (na obra O que é Filosofar? O que é Acadêmico?) que a filosofia, a religião, a arte, o amor e a morte seriam os cinco elementos que teriam o condão de provocar um abalo no sujeito, capaz de fazer transcender o mundo do trabalho: é a natural admiração (o mirandum aristotélico), que faz desligar das atividades do dia a dia, percebendo que há algo mais no mundo além de produzir, ganhar dinheiro, conquistar poder ou obter reconhecimento social.

Pois bem, para o homem de negócios de uma sociedade globalizada da era da informática, esse abalo existencial ou válvula de escape renovadora que a arte pode provocar (sem deixar de considerar o outros quatro elementos) pode vir das mais variadas manifestações estéticas, desde a música, poesia, pintura, escultura, dança... até os contos de fadas. O que teriam eles de especialmente candente a ponto de serem, mais do que outras manifestações artísticas, capazes de preservar ou recuperar a sanidade psicológica ao homem comum, trabalhador e pai de família?

Em 1939, J. R. R. Tolkien (1892-1973) publicou na Inglaterra um ensaio intitulado “On Fairy Stories”, expondo as três funções que, a seu ver, os contos de fadas desempenhariam na vida humana, que seriam:
a) terapia de restauração para a alma em relação à atividade produtiva e laborativa absorvente;
b) sã evasão dos problemas angustiantes do dia-a-dia, encontrando um mundo de sonhos que engloba as mais elevadas aspirações humanas; e
c) consolo da alegria, que não se confunde com um gozo meramente evasivo da realidade, mas que constitui um eco da vida real (satisfação dos desejos humanos primordiais, de sabedoria, amor e beleza, como também de comunicação com todos os seres viventes).

Parem o mundo que eu quero descer! Quantas vezes não é precisamente esse o grito abafado que assoma aos lábios e ecoa na mente, em dias de especial pressão, derrotas ou fracassos. Em tempos de pressão, estresse e cansaço mental, sair do mundo do trabalho e penetrar num outro mundo, semelhante mas diferente daquele em que vivemos, pode ser a terapia restauradora da alma.

Um mundo diferente é importante, para desligar das preocupações do dia-a-dia e aliviar a pressão interior de decisões a tomar ou trabalhos a concluir. E que seja um mundo semelhante é também de fundamental importância, pois só quando há similaridade com o mundo real se consegue a ressonância interior que atrai e cativa a alma, vendo-se retratada nas ações nobres ou vis dos personagens que povoam esse mundo diferente.

A literatura fantástica, como é conhecida a literatura de fantasia ou dos contos de fadas, tem muito a oferecer ao homem moderno nesse sentido, como o fez em séculos passados, preservando aquilo que G. K. Chesterton (1874-1936) mais prezava: o senso comum e o bom humor.

“A minha primeira e última filosofia, aquela na qual acredito com uma certeza inquebrantável, foi a que aprendi na escola maternal. A babá, essa grave sacerdotisa da democracia e, ao mesmo tempo, da tradição, foi quem, de maneira geral, ensinou-a a mim. As coisas nas quais mais acreditava, na época, e as coisas nas quais mais acredito agora são os chamados contos de fadas. Tais contos são, a meu ver, absolutamente racionais. Não são fantasias: as outras coisas é que, comparadas a eles, parecem-me fantásticas. Comparados a eles, a religião e o racionalismo são coisas anormais, embora a religião seja uma coisa anormalmente certa e o racionalismo uma coisa anormalmente errada. O País das Fadas não é outra coisa senão o ensolarado país do bom senso” (“Otodoxia”, LTr – 2001 – São Paulo, pg. 71).

Chesterton, no capítulo “A Ética da Terra dos Elfos”, do livro “Ortodoxia”, procura mostrar como os contos de fadas retratam, na sua lógica interna, um dos traços básicos do Cristianismo e do senso comum: o princípio da felicidade condicionada, ou seja, de que toda a alegria humana está condicionada à observância de umas regras morais mínimas, que, desprezadas, acabam por quebrar o encanto e a harmonia da vida.

Nesse ponto se verifica a similaridade com o mundo real. Chesterton traça o paralelismo entre o pecado original (tudo é permitido ao homem no paraíso, à exceção do fruto da árvore da ciência do bem e do mal) e as condições colocadas às fabulosas façanhas dos personagens de contos de fadas (Gata Borralheira que deve voltar do baile à meia-noite; Bela Adormecida que não pode se ferir numa roca; etc). Esse realidade é bem retratada nas obras de Tolkien, nas quais a disputa pelos “Silmarils” e pelos “Anéis do Poder” é o exemplo emblemático da não aceitação, pela criatura, dos limites impostos pelo Criador, provocando a sua ruína (vide, por exemplo, a rebeldia de Morgoth contra Illuvatar; a dos numenorianos contra a proibição de navegar para o Ocidente; etc), mas com a subseqüente vitória da humildade sobre o orgulho, com o restabelecimento da harmonia quebrada (Elendil escapando do naufrágio da ilha de Númenor; Frodo e Sam salvando o mundo civilizado, com o cumprimento da missão de destruir o Um Anel).

O sentido do dever nos personagens tolkianos e o respeito a um Código de Ética que não é estabelecido pelos personagens, mas lhes vem imposto pela sua própria natureza de seres criados, é uma constante em todos os contos e livros de fantasia, explicando, em muito, o caráter atrativo das lutas e dramas de todas essas estórias.

Ora, não apenas a juventude, mas também a idade madura e a terceira idade, vive buscando paradigmas que encarnem os ideais de sabedoria e fortaleza, nobreza e beleza, simplicidade e paciência, que transparecem nas aventuras de muitos dos heróis e heroínas das estórias de fantasia antigas e modernas, hoje transformadas em filmes:

a) Na saga de “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R.Tolkien, quem não se identifica, em muitas de suas circunstâncias de vida, com Frodo Baggins ou Sam Gamgee, ao tomar consciência da grandeza da missão que têm nesta Terra, não obstante a carência de talentos e virtudes para cumpri-la? Quem não gostaria de ter a prudência de Gandalf ou a nobreza de Galadriel? Quem não passou pela angústia de um amor impossível como Éowyn (encontrando, depois, seu verdadeiro companheiro de jornada) ou pela necessidade de passar oculto por tanto tempo e lutar perseverantemente em tantas frentes, até recuperar aquilo que lhe era devido e ver sua condição real reconhecida, como Aragorn?

b) Nos “Contos de Narnia”, de C. S. Lewis (1898-1963), quem não se encanta com os irmãos Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia Pevensie, passando do mundo real ao de Narnya, sempre enfrentando em fraterna união (mesmo com rupturas ocaionais) os dramas por que passam na terra maravilhosa da fantasia?

c) Nas aventuras de “Harry Potter”, de J. K. Rowling (1965), a vida familiar e acadêmica atribulada de Harry é um retrato da vida de tantos e tantos estudantes, que com ele e seus inseparáveis amigos Roney Wisley e Hermione Granger se identificam, fazendo paralelismos entre o que acontece no mundo dos bruxos e o que passamos neste nosso mundo de trouxas.

d) Na hexalogia de “Star Wars”, de George Lucas (1944), Luke Skywalker (dominando sua ira para não sucumbir frente ao Lado Negro da Força), a Princesa Leia Organa (valorizando seu amor a Hans Solo, sem se entregar facilmente), os Mestres Jedi Obi-Wan Kenobi e Yoda (com sua prudência sendo mais louvável que sua força), sem falar nos dramas pessoais de Padmé Naberrie e Qui-Gon Jin, são colocados como ícones admirados e emulados na vida de tantos jovens e menos jovens, na luta diária entre o bem e mal que se trava no coração, no trabalho e nas relações sociais.

e) Na “História sem Fim”, de Michael End (1929-1995), a busca de Atreiú (ajudado por Bastian Balthazar Bux) pelo que poderia salvar o Reino da Fantasia e a Rainha Criança é a materialização da tese tolkien-chestertoniana da restauração da alma pela literatura fantástica, pois o tema central do livro é o poder de cura da imaginação, representado pelo estado em que Fantasia se encontra até que alguém a salve, ao reconstrui-la baseado em novas idéias e novos sonhos.

S. Agostinho (354-430), em sua “A Cidade de Deus”, que pode ser considerada a primeira obra de Filosofia da História, fala de duas histórias paralelas se desenvolvendo no mundo: uma visível (a construção da “Cidade Terrena”), com a sucessão dos impérios e do progresso tecnológico, e outra invisível (a construção da “Cidade Celeste”), com a santificação das almas, pedras vivas que comporiam, com o tempo, o “Reino dos Céus”.

Ora, a importância e o papel das pessoas no desenvolvimento da história humana somente poderá ser aquilatado no final dos tempos, sendo que aqueles que aparentemente não fizeram nada de relevante podem ter sido os mais importantes (como, na saga do Anel, os hobbits). Daí que as perspectivas do real e do ideal, do mundano e do sagrado, do pequeno e do grande, do temporal e do eterno, adquirem sua mais plena dimensão quando contrastadas entre si e fundidas em plano no qual, sabendo-se distinguir as diferentes perspectivas, consegue-se aproveitar de cada uma o que tem de mais complementar às nossas deficiências.

Nossa vida real e o mundo de fantasia no qual nos refugiamos nos momentos de lazer, acompanhando as aventuras dos heróis com os quais mais nos identificamos, são, também, histórias paralelas, que se cruzam e interpenetram, servindo as virtudes vivenciadas pelos personagens de exemplo e estímulo para nossa luta diária contra a preguiça e o desânimo, a vaidade e a sensualidade, a ira e a inveja, a avareza e a intemperança. A diferença é que a nossa aventura é mais bonita e emocionante, porque é real.

Platonicamente falando, os contos de fadas são o mundo ideal, no qual encontramos os arquétipos de homens e mulheres com defeitos e virtudes equilibradamente distribuídos, passíveis de serem admirados e imitados. Olhando para eles, sentimo-nos quase que acompanhados em nossa caminhada no mundo real, vivendo situações semelhantes às que eles passaram, o que consola e anima, já que são eco de experiências humanas captadas e tão bem expostas pelos autores das sagas.

E mais. Não há atividade profissional que não dependa de muita imaginação para se resolver os problemas que apresenta. Arnold Toynbee (1889-1975), notável historiador inglês, em seu “Um Estudo da História”, sustentava que o elemento chave do desenvolvimento das civilizações seriam as respostas criativas aos desafios que o meio, quer ambiental, quer humano, apresentasse ao homem de cada época ou lugar. Não terá a literatura fantástica um papel a desempenhar na busca de novos caminhos e novas soluções para os problemas que afligem a sociedade moderna, arejando as mentes e distendendo os espíritos, permitindo olhar para o mundo com uma nova perspectiva?

Enfim, os embates diários da vida real serão melhor enfrentados e vencidos, num clima de distensão, bom humor e esportividade, por aqueles que sabem recuperar as forças e expandir a mente, tanto cultivando uma sólida vida interior quanto escapando temporariamente para um mundo povoado de seres fantásticos (o próprio homem é um ser fantástico!), capazes de fazer rir e chorar, pensar e amar, decidir e mudar, para melhor, o mundo real em que vivemos."

de:IVES GANDRA DA SILVA MARTINS FILHO
in www.valinor.com

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

INTERVENÇÃO EM SAÚDE MENTAL




"Estudantes de pós-licenciatura organizam Semana da Saúde Mental
Massagens terapêuticas, artes marciais, terapia do riso e técnicas de relaxamento são algumas das propostas para os utentes do Centro de Saúde Norton de Matos.
Alguns enfermeiros que frequentam o curso de pós-licenciatura de especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria vão, durante esta semana (entre 9 e 13 de Fevereiro), promover várias sessões informativas sobre saúde e bem-estar, que terão lugar no Centro de Saúde Norton de Matos, em Coimbra.

Do programa desta Semana da Saúde Mental organizada pelos estudantes de pós-licenciatura da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra fazem parte momentos de massagem e de Reflexologia (segunda-feira e sexta-feira, às 10h00), actividades assistidas por animais (terça-feira, às 09h00) e uma demonstração da arte marcial Tai-Chi Chuan (também terça-feira, mas às 11h30).

A auto-massagem (quarta-feira, às 10h00), a terapia do riso (quarta-feira, às 14h30) e o relaxamento (quinta-feira, às 10h00) são os temas das outras sessões.

Com esta semana de actividades, os estudantes enfermeiros querem proporcionar momentos de bem-estar aos utentes do centro de saúde - as sessões estão também abertas ao público indiferenciado - e mostrar que há alternativas para melhorar a saúde mental.

Quanto à Reflexologia, trata-se de uma técnica que permite estimular pontos específicos localizados nos pés e nas mãos - que agem, reflexamente, sobre os órgãos internos, estimulando o seu funcionamento saudável) -, que aumenta a circulação sanguínea, promove o relaxamento geral e estimula a força anímica.

O Tai-Chi Chuan é uma arte marcial milenar, desenvolvida com movimentos lentos e harmoniosos, baseados na imitação dos animais e na medicina tradicional chinesa, que promove o equilíbrio físico e mental.

Em matéria de terapia do riso, é sabido que o humor minimiza a ansiedade e a angústia dos doentes.

Por outro lado, o contacto do homem com os animais também pode promover a saúde mental, diminuindo os níveis de ansiedade e de violência.


Esta Semana da Saúde Mental é uma das iniciativas do "Projecto Desvendar - Domínio Cuidados Continuados e Reabilitação Psicossocial", inserido no plano de trabalho que um grupo de estudantes desta pós-licenciatura de especialização está a realizar no Centro de Saúde Norton de Matos."
in"http://www.universia.pt/servicos_net/informacao/noticia.jsp?noticia=50658"

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

CONGRESSO NACIONAL SPESM



Congresso de Saúde Mental: SPESM
Congresso Nacional da SPESM: A vulnerabilidade Social e a Saúde Mental

Datas: 4 e 5 de Junho de 2009 - Lisboa

Local: Anfiteatro do Polo Artur Ravara: Escola Superior de Enfermagem de Lisboa

Brevemente regulamento no site (http://www.spesm.org/)

Data limite para envio de resumos:
8 de Maio de 2009

fonte: www.spesm-saudemental.blogspot.com

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

XI JORNADAS DE FILOSOFIA, CULTURA E ESPIRITUALIDADE HOSPITALEIRA



COMPETENCIAS DE ENFERMAGEM DE SAUDE MENTAL

Realiza-se dia 4 e 5 de Dezembro estas jornadas, que pretendem debater as competencias da Enfermagem em Saude Mental. O Psiquiatrices irá estar presente com um poster e uma comunicação livre com o tema "Eu quero, Eu posso, Eu consigo: - Processo de Aconselhamento com RT. Um estudo de caso".
Este estudo de caso, apresenta um o Processo de Aconselhamento com um doente que após ter caído numa piscina ficou paraplégico, embora não apresentasse danos fisicos que o justificassem.
Após Processo de Aconselhamento baseado numa aliança terapêutica este doente retomou todas as suas actividades de vida sem deficits. Note-se que este aconselhamento durou menos de um mês.
Prometo que em proximos post irei apresentar o estudo de caso neste blog.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Plano Nacional de Saúde Mental



http://www.dre.pt/pdf1sdip/2008/03/04700/0139501409.PDF


- "Garantir a acessibilidade a todas as pessoas com problemas de saúde mental"
- "Envolver a participação de utentes, familiares e diferentes entidades da comunidade"
- "Promover a descentralização dos serviços de saúde mental, de modo a permitir a prestação de cuidados mais próximos das pessoas e a facilitar uma maior participação
das comunidades, dos utentes e das suas famílias"

quinta-feira, 13 de março de 2008

PASSARO DA ALMA





POEMA
Para ler ... e para ler à luz da Saúde Mental

"No fundo, bem lá no fundo do corpo, mora a alma.
Ainda não houve quem a visse,
mas todos sabem que existe.
E não só sabem que existe,
como também sabem o que lá tem dentro.
Dentro da alma, lá bem no centro,
pousado numa pata, está um pássaro.
E o nome desse pássaro é o Pássaro da Alma.
E ele sente tudo o que nós sentimos :

Quando alguém nos magoa,
o pássaro da alma agita-se para lá e para cá
em todos os sentidos dentro do nosso corpo, sofre muito.
Quando alguém nos ama,
o pássaro da alma dá pulinhos de contente,
para trás e para a frente, vai e vem.
Quando alguém nos chama,
o pássaro da alma põe-se logo à escuta da voz
a fim de reconhecer que tipo de apelo é.
Quando alguém se zanga connosco,
o pássaro da alma recolhe-se
dentro de si ,tristonho e silencioso.
E quando alguém nos abraça, o pássaro da alma
que mora no fundo, bem lá no fundo do nosso corpo,
começa a crescer, crescer,
até encher quase todo o espaço dentro de nós,
tão bom para ele é o abraço.

Dentro do corpo, no fundo, bem lá no fundo, mora a alma.
Ainda não houve quem a visse,
mas todos sabem que ela existe.
E ainda nunca, nunca veio ao mundo alguém
que não tivesse alma.
Porque a alma entra dentro de nós no momento em que nascemos
e não nos larga
- Nem uma só vez –
até ao fim da vida.
Como o ar que o homem respira
desde a hora em que nasce até à hora em que morre.
Decerto querem também saber de que é feito o pássaro da alma.
Ah, isso é mesmo muito fácil :
É feito de gavetas e mais gavetas.
Mas não podemos abrir as gavetas de qualquer maneira,
pois cada uma delas tem uma chave para ela só!
E o pássaro da alma
é o único capaz de abrir as gavetas dele.
Como ?
Pois isso também é muito simples :
Com a segunda pata.

O pássaro da alma está pousado numa pata,
e com a outra – que em descanso está dobrada sob a barriga –
roda a chave da gaveta que quer abrir,
puxa pelo puxador, e tudo o que está dentro dela
sai em liberdade para dentro do corpo.

E como tudo o que sentimos tem uma gaveta,
o pássaro da alma tem imensas gavetas.
A gaveta da alegria e a gaveta da tristeza.
A gaveta da inveja e a gaveta da esperança.
A gaveta da desilusão e a gaveta do desespero.
A gaveta da paciência e a gaveta do desassossego.
E mais a gaveta do ódio, a gaveta da cólera e a gaveta do mimo.
A gaveta da preguiça e a gaveta do vazio.
E a gaveta dos segredos mais escondidos,
uma gaveta que quase nunca abrimos.
E há mais gavetas.
Vocês podem juntar todas as que quiserem.

Às vezes uma pessoa pode escolher e indicar ao pássaro
as chaves a rodar e as gavetas a abrir.
E outras vezes é o pássaro quem decide.
Por exemplo: a pessoa quer estar calada e diz ao pássaro para abrir
a gaveta do silêncio. Mas ele, por auto-recriação,
Abre-lhe a gaveta da fala,
E ela desata a falar, a falar sem querer.
Outro exemplo: a pessoa quer escutar pacientemente
- e em vez disso ele abre-lhe a gaveta do desassossego
que faz com que ela se enerve.
E acontece que a pessoa tenha ciúmes sem qualquer motivo.
E que estrague justamente quando mais quer ajudar.
Porque o pássaro da alma nem sempre é disciplinado
e às vezes dá-lhe trabalhos...

Agora já compreendemos que cada homem
é diferente do seu semelhante
por causa do pássaro da alma que tem dentro de si.
O pássaro que em certas manhãs abre a gaveta da alegria,
e a alegria jorra para dentro do corpo e o dono dele fica feliz.
E quando o pássaro lhe abre a gaveta da raiva,
a raiva escorre de dentro dela e domina-o totalmente.
Até que o pássaro volte a fechar a gaveta
ele não pára de se zangar.
E quando o pássaro está de mau humor
abre gavetas que dão mal-estar.
E quando o pássaro está de bom humor
escolhe gavetas que fazem bem.

E o mais importante – é escutar logo o pássaro.
Pois acontece o pássaro da alma chamar por nós, e nós não o ouvirmos.
É pena. Ele quer falar-nos de nós próprios.
Quer falar-nos dos sentimentos que estão encerrados nas gavetas dentro de nós.

Há quem o ouça muitas vezes.
Há quem o ouça raras vezes,
E há quem o ouça
Uma única vez na vida.

Por isso vale a pena
talvez tarde pela noite, quando o silêncio nos rodeia,
escutar o pássaro da alma que mora dentro de nós,
no fundo, lá bem no fundo do corpo. "
Michal Snunit

segunda-feira, 10 de março de 2008

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Este Foi o Inicio...

CARTA DE MOTIVAÇÃO PARA CONCURSO NA P.G.S.M.


A área da Saúde Mental (SM) é talvez a mais complexa no âmbito da profissão de Enfermagem, porque é a que mais depende de todo um processo de comunicação. É sem dúvida importante em toda a acção de enfermagem, mas na SM é o instrumento de intervenção por excelência. Assim, toda a abordagem nesta área é construída a partir do processo de interacção, esperando-se que os profissionais sejam capazes, de estabelecer relações terapêuticas com os utentes.
A SM é transversal às outras áreas de actuação em Enfermagem. Está presente em todo o processo da relação de ajuda. É fundamental aprender a integrar e mobilizar conhecimentos, para melhorar a qualidade dos cuidados na assistência às pessoas com perturbações emocionais.
Quantas vezes durante o meu percurso profissional e pessoal, confrontei-me com pessoas que sofriam de desequilíbrios emocionais, como consequência dum processo de doença, ou simplesmente porque a sua fragilidade não lhes permitiu lidar adequadamente com os factores stressores a que todos nós estamos sujeitos. A minha actuação nestas interacções é essencialmente orientada pelo “bom senso”, esforçando-me contudo para me colocar no papel dessa pessoa. Por vezes obtenho resultados positivos e gratifico-me por sentir que atenuei o sofrimento das mesmas, mas outras vezes sinto alguma frustração, pois gostaria de as compreender melhor para melhor as ajudar. Noto contudo, alguma dificuldade em interagir com pessoas com alguns comportamentos desviantes daquilo que é considerado a normalidade. Estas situações colocam-me algumas questões e aguçam-me a minha curiosidade sobre o que é normal ou não, já que a doença mental sempre foi vista como um desvio em relação a um padrão de comportamento pré estabelecido, pela sociedade em geral. O que me interroga é sobre o que faz um indivíduo apresentar estas alterações e que tipo de abordagem deve ser feita.
Esta área sempre me aliciou desde o início da minha vida profissional e chegou o momento de investir na construção de um novo projecto profissional. Por isso, pretendo, com a frequência da Pós Graduação (PG) na área da SM na Adição e na Reabilitação Psicossocial, além de poder obter respostas a estas minhas interrogações, adquirir competências para um desempenho adequado na minha interacção com este tipo de pessoas, ajudando-os a enfrentar estes momentos de crise.
A minha escolha do Elenco A, deve-se ao facto de pretender continuar a desempenhar funções na área do adulto, e de ser a área que mais se enquadra, com o tipo de problemáticas com que mais me irei deparar no meu futuro serviço, já que aguardo transferência para o Serviço de Psiquiatria.
Ao analisar a minha experiência profissional, sinto algumas lacunas de formação na área da PG a que concorro, apesar do meu percurso apresentar pontes de ligação ás unidades curriculares propostas.
Colaboro com uma Escola de Enfermagem, onde lecciono sobre o papel do enfermeiro no apoio ao casal infértil/Infertilidade. Apesar destas aulas estarem inseridas noutra área de actuação de Enfermagem, é maioritariamente na SM Comunitária e Familiar que devem ser posicionadas. Nestas aulas, utilizo as Narrativas de Vida como método formativo, exemplificando com uma história de vida, qual deve ser o posicionamento do enfermeiro. Pretendo que os estudantes possam reflectir, criando uma relação de parceria com o casal, apoiando-o. Publiquei, um artigo a descrever esta minha experiência, fazendo uma abordagem formativa e terapêutica das Histórias de Vida.
Sou responsável da formação em Serviço e foi sempre minha preocupação, incluir formação numa área mais relacional, onde a relação de ajuda é primordial. Foram criados, momentos de discussão e reflexão das experiências profissionais de cada elemento. Foi iniciado, um curso sobre dinâmicas de grupo, com o objectivo de toda a equipa se conhecer melhor, poderem fortalecer elos de ligação entre os elementos. Está também a decorrer, uma formação sobre técnicas de Sofrologia, para atenuar o stresse e promover o auto conhecimento Senti que estas abordagens foram muito positivas, houve uma consciencialização das relações entre os elementos da equipa e uma preocupação em as fortalecer. Desejo então aprofundar mais sobre esta temática, dado que, por vezes, uma pessoa estranha ao nosso contexto, pode ajudar-nos a conhecermo-nos melhor e mostrar o nosso posicionamento no grupo.
Esta é a minha experiência e os meus interesses a nível profissional no domínio da Enfermagem de SM. A frequência da PG, pode ser útil para desenvolver competências no sentido de deixar de usar o “bom senso” e passar a actuar de uma forma correcta, cientifica, de maneira a que ao fazê-lo, não agrave as situações em que a SM esteja afectada e possa decisivamente ajudar na reabilitação psíquica e social dos utentes que me estão confiados. Além de responder a alguma da minha inquietude, uma vez que me vai ajudar, a conhecer melhor os outros e consequentemente a mim mesmo, possa também, sentir-me realizado por ajudar convenientemente o outro.
Fui aluno da Escola Superior de Saúde de Setúbal (ESS), tendo frequentado o Curso de Complemento em Enfermagem. Senti uma enorme motivação durante a minha formação nesta escola. Contribuiu decisivamente, para o desenvolvimento das minhas competências profissionais, para uma visão algo diferente da Enfermagem e para um crescimento pessoal. Frequentar a ESS permitiu-me adquirir, muitos subsídios, para o meu desempenho. O conhecimento da Escola, da sua filosofia de ensino, assim como do seu elenco Docente, é uma mais valia para o meu concurso a esta PG.
Quero também destacar que os conteúdos programáticos da PG a que concorro influenciaram decisivamente o facto de querer continuar a minha formação profissional nesta instituição.
Por tudo o foi descrito, estou motivado para a frequência da PG em SM opção Adição e Reabilitação Psicossocial.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Dias de uma P.G. VI



A unidade curricular de hoje é relação de ajuda/ Processo de aconselhamento. Hoje a aula foi um revisitar dos conteúdos dados. Foi como arrumar as coisas, etapas, papéis e conceitos ficaram na minha perspectiva bastante melhor esclarecidos. Hoje é a última aula com o Dr. João Geraldes, penso que estas aulas foram decisivamente positivas, pois é dado uma perspectiva diferente da relação profissional/doente de alguém externo à enfermagem. Muitas coisas foram cimentadas hoje e decisivamente, na minha perspectiva, poder-se-á fazer a relação de processo de aconselhamento/ Aliança terapêutica e relação de ajuda. Faz sentido agora depois de ler o livro “Processo de Aconselhamento”, reflectir sobre as nossas práticas à luz do que é o processo de aconselhamento.
Hoje o dia de aulas foi completo. Ás 8 horas e 30 minutos começou o módulo Narrativas de Vida. Esta aula foi como um reviver de sentimentos da aula passada em que nos contámos ao grupo. A grande diferença é que desta vez reflectimos sobre as nossas experiências e partilhamos o que sentimos. Muitas vezes somos confrontados com situações que nos incomodam sem saber bem porquê. Estes momentos de partilha de experiências serve também para pensarmos que não somos os únicos a sentir o que sentimos. Foi basicamente isto que se passou, há primeira vista parece pouco, mas se analisarmos com mais atenção o que se passou veremos que muita coisa foi apreendida e muita coisa foi reflectida.
À tarde, iniciámos um novo módulo sobre Técnicas Expressivas. Sinceramente tinha algumas fantasias sobre este módulo. A primeira aula correspondeu totalmente a estas fantasias, digo até que superou, uma vez que vi as potencialidades terapêuticas da técnica abordada. Falou-se de escrita criativa, e elaborámos um texto sobre a pós-graduação. Em primeiro lugar não sabia o que escrever, mas ocorreu-me que seria criativo explicar às minhas filhas o que o pai andaria a aprender na escola, uma vez que também o pai lhes pergunta o que elas andam a aprender na escola.
De seguida analisámos os textos de alguns colegas e o meu texto. Somos sem dúvida diferentes uns dos outros, pois aquilo que nos move é diferente, os nossos interesses são, definitivamente, diferentes, apesar de todos nós queremos concluir com aproveitamento esta pós graduação. Foi sem dúvida aliciante. Fiz algumas pontes nesta técnica com o processo de aconselhamento e sem dúvida com as narrativas de vida. Como se costuma dizer na gíria futebolística fiquei adepto deste módulo e desta técnica em particular.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Dias de Aulas de uma P.G. V




Era então hoje o dia da narração das histórias de vida. O grupo tinha sido estabelecido na aula anterior, consoante as experiências em outras situações pedagógicas semelhantes. O meu grupo é constituído por mim e mais três colegas mulheres.
Fui o primeiro a narrar a minha história de vida. Apesar de estar habituado a fazê-lo, não deixa de ser sempre uma nova descoberta e um novo encontro comigo, com o meu passado, com o meu vivido. Aspectos positivos que são exprimidos com sorrisos, e aspectos com carga negativa contados com mais emoção. Falei ininterruptamente durante cerca de 28 minutos. O sentimento de partilha é sem dúvida interessante, uma vez que estava-me a contar perante três pessoas, que apesar de colegas, penso ser a primeira vez que estava a falar com elas. A segunda colega falou com emoção, era a primeira vez que teve “coragem” para contar uma experiência traumática, senti que se encontrou com os seus “fantasmas”, senti-a inicialmente perdida, insegura e vulnerável. Com o passar do tempo o seu discurso passou a ser mais confiante, embora não disfarçasse a emoção.
A terceira colega a falar, pareceu-me uma mulher mais vivida e com os seus “fantasmas” dominados, era sem duvida uma história sofrida, cheia de desencontros e carregada de sofrimento. Pareceu-me alguém que já reflectiu este período da sua vida e finalmente encontrou o seu caminho.
A última colega a narrar a sua história de vida, prometeu que não falaria muito, uma vez que se sentia incapaz de se contar. Realmente teve bastante dificuldade, mas sentiu que aquele momento de partilha de experiências tinha sido genuíno e tentou partilhar com o grupo.
Ao analisar as histórias de vida, há sem duvida uma preponderância de movimentos negativos. O sofrimento é sem duvida o que é mais difícil de relembrar, embora porém, talvez seja aquele que mais necessidade teremos de partilhar. Ao contarmos momentos traumáticos, enfrentamos os nossos medos e inseguranças. Acredito que quando as contamos repetidamente estes nossos “fantasmas” passam a ter um peso bastante menor na nossa vida, conseguindo cada um de nós seguir com uma vida mais saudável.
Depois deste momento, tivemos reunião de supervisão de cuidados. A reunião com o professor, teve como objectivo, analisar o caminho percorrido na elaboração dos portfólios. Sinto que apesar de tudo, estou a desenvolver um trabalho que vai de encontro aquilo que se pretende, alem disso estou a sentir prazer em fazê-lo e estou sem duvida a aprender coisas sobre saúde mental, que para mim eram completamente desconhecidas.

domingo, 28 de outubro de 2007

ESQUIZOFRENIA



2007-10-28 - 00:00:00
Esquizofrenia ausência de apoios castiga doentes


Para os doentes a quem a Medicina entendeu chamar de esquizofrénicos, a distinção entre realidade e imaginação torna-se tarefa difícil e os momentos de alucinação acabam por ser partilhados por toda a família. Tudo porque, em Portugal, a maioria destes doentes vive a cargo da família, obrigada a enfrentar a doença sem apoios.


É para a falta de ajudas que Marques Teixeira, director clínico do Centro Hospitalar Conde Ferreira, no Porto, chama a atenção. Fala no “estigma” que ensombra a sociedade, com manifestações “que se estendem desde o nível político ao senso comum”. Para este especialista, é preciso, acima de tudo, mudar mentalidades, já que os esquizofrénicos “são doentes e pessoas que têm direito a ser tratadas como tal”.Tal como acontece noutros países ditos desenvolvidos, cabe às famílias a dura tarefa de cuidar dos doentes. Para os que se vivem sozinhos, sem apoio familiar, pouco mais resta do que as estadias nos hospitais psiquiátricos ou, em alternativa, a marginalidade. “Como não há uma rede de suporte que cuide destas pessoas, muitas acabam nas ruas, como sem-abrigo, fenómeno que ocorre com cada vez maior frequência na Europa.” Tendo em conta a ameaça de encerramento que paira sobre as unidades de cuidados psiquiátricos nacionais, Teixeira Marques teme que esta realidade chegue em breve a Portugal.Pede-se, por isso, mais meios e uma maior alocação de recursos. “Estamos praticamente a zero quando se trata da rede de apoio comunitário, necessária para apoiar os doentes nas famílias”, avança o médico. E a justificação para a falha é simples: “Deficientes políticas de saúde mental”, um problema que não é recente.Outras questões põem em causa a qualidade de vida de quem sofre com esquizofrenia, como o número de camas disponíveis nos hospitais ou a questão da reabilitação e integração social. Se há doentes para quem este cenário não é possível, outros há que, com o devido apoio médico e psicológico, têm a possibilidade de ocupar um lugar produtivo na sociedade. Para isso são necessários programas e estruturas de apoio que, segundo Marques Teixeira, “não existem em Portugal”.

BRILHO QUE A DOENÇA NÃO APAGOU

Chama-se John Nash Jr., é norte-americano e sofre de esquizofrenia, diagnóstico que não apagou, no entanto, o brilho de uma mente considerada por muitos genial. Nash podia ser mais um nome a juntar ao de tantos outros doentes no Mundo, mas saltou para a ribalta depois de, em 1994, ter ganho o Nobel da Economia graças a uma tese de doutoramento na área da Matemática, escrita décadas antes. Começou cedo a interessar-se pela ciência dos números, que o levou longe na carreira académica, apenas interrompida, no início da década de 60, por uma esquizofrenia paranóica, combatida por tratamentos que incluíram o internamento. Tornou-se o exemplo do potencial de quem sofre com este problema, retratado pela indústria de Hollywood no filme ‘Uma Mente Brilhante’.

USO DE CANNÁBIS LEVA A CRISES PSICÓTICAS

Há indícios que apontam para a possibilidade de o consumo de canábis poder provocar crises psicóticas e já foi demonstrado que o contacto com as drogas favorece o aparecimento da esquizofrenia quando já existe predisposição para a doença.Outros estudos revelam, porém, que os doentes têm, por motivos ainda pouco claros, maior tendência para o consumo de tóxicos. Independentemente de quem tenha razão, há uma certeza: consumir droga piora o prognóstico da doença, o que levou as Nações Unidas a pedirem o fim da tolerância dos países mais desenvolvidos em relação ao consumo de algumas substâncias, como o álcool ou a canábis, considerado aceitável na maior parte das nações. E mesmo a canábis é legal e considerada inofensiva em alguns países.Muitos especialistas defendem que a possibilidade de sofrer de alucinações ou pensamentos delirantes que não se ajustam à realidade – sintomas da esquizofrenia – aumentam em quem consome regularmente drogas. Estes estudiosos não duvidam de que as drogas precipitam episódios psicóticos. Outros defendem que é a doença que favorece o consumo.

FACTOS E NÚMEROSCUSTOS ELEVADOS

A esquizofrenia é uma das doenças que mais contribui para a despesa com a saúde nos países desenvolvidos. Na Europa, estima-se que contribua com 1,9 por cento do total do orçamento para a saúde.

EM PORTUGAL

Estima-se que a esquizofrenia afecte entre 60 a 100 mil portugueses. De acordo com um estudo, 64,4 por cento dos doentes depende da família e só 18,6 por cento tem uma relação com um companheiro.

INSERÇÃO

Ainda de acordo com o mesmo estudo, 35 por cento dos doentes está no desemprego ou na reforma, enquanto 41,5 por cento diz não ter actividades sociais com amigos ou família.

TRATAMENTOS

Cerca de três quartos dos esquizofrénicos não sofrem recaídas no prazo de três anos, sinal da eficácia dos tratamentos.

NOTAS:EM QUE CONSISTE A DOENÇA?

A esquizofrenia é uma doença mental grave que altera de forma significativa a vida de quem dela sofre e dos seus familiares. Os afectados têm dificuldade em distinguir o que é ou não real, tendo comportamentos estranhos.

QUAIS SÃO AS SUAS CAUSAS?

Não são totalmente conhecidas as causas por detrás da doença. Sabe-se que na sua origem estão factores genéticos e ambientais, afectando uma em cada 100 pessoas. É mais comum manifestar--se na adolescência e em adultos jovens.

QUE SINTOMAS APRESENTA?

Os sintomas são muitos e manifestam-se de forma diferente de pessoa para pessoa. Sabe-se que, em 30 por cento das situações, é uma doença que está associada ao consumo de substâncias tóxicas, aumentando o risco de suicídio.



Carla Marina Mendes
“In correio da manhã de 28/10/2007”

sábado, 27 de outubro de 2007

Dias de Aulas de uma P.G. IV



Hoje é um dia em cheio, temos todo o dia aulas. Sinto-me um pouco cansado, dezasseis horas de trabalho todos os dias têm-me feito vacilar um pouco, e toldam-me um pouco o raciocínio. Introduzimos o estágio na P.G.
Foi definido o que era pretendido na construção do portefólio. Fiquei um pouco desiludido, pois a ideia que já tinha em mente para construir o meu portefólio já não é exequível, uma vez que tem de ser construído em suporte informático. Mas como tudo na vida, construir, reconstruir faz parte dos processos de formação e de crescimento pessoal, terei que me debruçar mais tarde sob a forma como irei apresentar a minha aprendizagem.
Foi mais tarde introduzido mais um módulo de Saúde Mental e Comunitária. Foi uma aula de exploração. Primeiro tentámos apontar a característica mais importante em nós. Curioso, perseverante, dinâmico, justo, persistente, verdadeiro e exigente, foram algumas das características que definiam o maior número de estudantes. Estas características, revejo-as nas capacidades e nas virtudes que o enfermeiro deve ter, eram estas, as características atribuídas à turma.
Há tarde, mais uma aula de ética. Desta vez estávamos a PG de saúde mental, e a PG de Médico-cirúrgica Urgência/Emergência. Falou-se de autonomia vs vulnerabilidade. De quanto mais autónomo o doente se encontra, menos vulnerável se sente e vice-versa. Senti que, cada vez mais estas questões fazem mais sentido, uma vez que perfeitamente se enquadram na minha experiência.
Vem de encontro aquilo que defendo desde sempre, que o paternalismo/maternalismo, que por vezes se quer fazer passar como bons cuidados de enfermagem, não passam de uma maneira de manter a vulnerabilidade do doente e consequentemente a sua dependência. Promover a autonomia é sem dúvida, o objectivo final dos cuidados de enfermagem.
A cada dia que passa sinto-me mais motivado. Iniciou-se hoje mais um módulo da P.G., Narrativas de Vida. Há alguns anos apliquei esta metodologia de formação e realmente, é um domínio de bastante interesse e que se enquadra naquilo que realmente penso sobre formação. Não só em termos formativos é benéfico, como também, em termos da nossa saúde mental adquire uma importância fundamental. Contarmo-nos e escrevermo-nos é um exercício, que encerra em si, uma construção interior para quem o consegue fazer. Sem duvida, que um povo só cresce quando tem consciência da sua própria história. Não se refugia em medos e preconceitos, mas a enfrenta, a encara e a enaltece, nos seus domínios positivos e negativos. Aproveita os positivos para continuar, analisa os negativos para melhorar. Penso que as narrativas de vida também contêm este processo de crescimento pessoal.
A aula foi introdutória, mas já se vislumbrou por que caminhos, pode enveredar. Falámos de narrativas de vida e de “empowerment”, onde na nossa história de vida tivemos perante a situação de dar poder ou ter o poder de decidir sobre a nossa vida.
A hora de almoço mais uma vez foi um momento de conhecimento dos colegas, das experiências, das expectativas. È sempre um momento formativo, estas conversas desprovidas de qualquer outro objectivo que não de conhecer e dar a conhecer. Fala-se efectivamente de nós, dos outros e de enfermagem. Analisar estes conteúdos à posteriori era motivo para algumas páginas de análise.
À tarde mais uma aula de relação de ajuda e de processo de aconselhamento. Falou-se de transferência e contratransferência e identificação projectiva. À partida, pode dar a ideia que nada se avançou, pois já na última aula, tínhamos abordado esta temática. O que me parece é que agora estes temas estão muito melhor percebidos, pois foram utilizados exemplos em contexto de trabalho. Existe na turma um melhor aproveitamento destas aulas. A mim, sempre me fez confusão a educação bancária, prefiro sem duvida a educação problematizadora. Parece-me que é por este caminho que estamos a ir, o que me agrada verdadeiramente.
Ouvi nesta pós graduação no início, que ela é, aquilo que nós quisermos que ela seja. Até agora foi essa a linha que me guiou, a partir de agora, devido a sobrecarga do horário de trabalho, irá ser aquilo que o tempo deixar ser. Não que não irei pensar nas problemáticas analisadas, mas será que irei ter tempo de as escrever?

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Dias de Aulas de uma P.G.



Estava a caminho de Setúbal, sentia-me um pouco ansioso. Estava prestes a iniciar mais uma etapa na minha formação. Sinto-me entusiasmado, penso ter feito a escolha certa para o meu percurso profissional. È claro que não isento de riscos, estou a apostar numa área para a qual não tenho formação prévia específica. Por outro lado sinto que é um desafio ás minhas capacidades. A área da Saúde Mental é sem dúvida motivante, não deixando de ser desconcertante, isto se pensarmos na área que a partir de agora vai passar ser o meu foco de interesse. Desde o meu curso base, que me despertou interesse esta área, sem no entanto ter investido nela. Sinto por isso, que este desejo esteve a amadurecer, como se estivesse a hibernar durante estes anos.
Cheguei à escola, estava a começar a apresentação do curso. O auditório estava cheio. Foi com interesse que acompanhei a exposição do professor. Sentia-me em casa. Voltava a ver rostos conhecidos que, há 3 anos atrás, me fizeram ver a profissão de uma outra forma. Por outro lado, foi aquela equipa de docentes que ajudou a conhecer-me melhor e a acreditar que consigo, mesmo com bastante esforço pessoal, atingir os objectivos a que me proponho.
Chegou a hora de falar a professora Lucília Nunes. Nada mudou, está ainda mais desconcertante e motivadora. Sorri para mim mesmo, quando me lembrei daquelas aulas de ética, de como tentava “desfragmentar” aquelas aulas durante uma semana tentando reflectir sobre o que tinha sido falado.
Nas pausas, tentava vislumbrar alguns rostos conhecidos que pudessem estar na mesma situação que eu.
NADA.
No meio de tanta gente não vi ninguém conhecido. No final da cerimónia encontrei alguém conhecido, outro e outro. Á pergunta para onde entraste, a resposta era a invariavelmente a mesma, vou para a Pós Graduação Médico-Cirúrgica. Ou era para o elenco A ou B.
Saúde Mental, nada.
Mais tarde, os estudantes da Pós Graduação de Saúde Mental reuniram-se então. Descortinei duas ou três caras conhecidas, que em tempos partilhámos o tempo, neste ou naquele serviço onde trabalhei.
Entrámos.
O professor apresentou a pós graduação. Mais uma vez tive a sensação de um “dejá-vu”, só que desta vez não se falava de lagartos e dinossauros, mas sim do que nos espera no próximo ano lectivo, quiçá com sorte, no próximo ano e meio.
As “hostilidades” começaram. Iniciaram-se as aulas. Começou-se a debater as nossas visões sobre a relação de ajuda. Principalmente fez-se um enunciado sobre o que a turma quer aprender.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Técnicas Expressivas


Quando se aplicam técnicas expressivas, o doente é acima de tudo estimulado a criar competências que lhe permitirão viver a sua vida de uma forma mais útil e satisfatória.
Relativamente ao doente com perturbações mentais o principal objectivo é a sua reabilitação psicossocial. O grande desafio como nos diz Pires (2006¸ p. 7) “o grande desafio que todo o ser humano enfrenta em situação de crise é o desafio da transcendência comprometida ao poder do eu impessoal, para se libertar dos sentimentos de pena para com nós próprios, medo e raiva que embora reais, são extremamente improdutivos”. Neste âmbito o enfermeiro tem um papel de terapeuta e acima de tudo de dinamizador da relação do doente com ele próprio, com a família, com o meio e com a sociedade. Este papel de dinamizador assume uma importância fundamental no processo terapêutico do doente uma vez que, por vezes, tem que se mobilizar as competências do doente adquiridas ao longo da sua vida, como fundamenta Pires (2006, p.9) “ o enfermeiro não se centra na doença e ajuda a procurar nesse passado, presente e futuro, o sentido e a energia para ultrapassar a situação”.
Para isso o enfermeiro pode, quando preparado, recorrer à psicoterapia. Psicoterapia é um processo de descoberta da realidade única em cada indivíduo. Cada pessoa constitui um mapa de vivências e percepções que pode ser alterado através da observação e avaliação das suas experiências. Os objectivos da psicoterapia segundo Neeb (2000, p. 151) prendem-se com
1. “Diminuir o desconforto emocional do doente.”
2. “Melhorar o funcionamento social do doente.”
3. “Aumentar as competências do doente para agir ou manter um desempenho apropriado a cada situação.”
Há então uma preocupação como nos diz Neeb (2000, p.151) de estimular “novas competências que conduzam a comportamentos de coping, uma atitude facilitadora de insight relativamente aos seus problemas”.
Uma das técnicas que podem ser utilizadas é o jogo. Elkonin (1998, p.164) caracterizando o jogo “assinala a sua propriedade dinâmica fundamental, a qual consiste em que, por uma parte, trata com fenómenos relativos ao nível da realidade, no sentido de que são acessíveis à observação de indivíduos não interessados, (…), e, por outra, em que está muito menos relacionada com as leis da realidade do que o comportamento em outra esfera que não seja lúdica”. O jogo assume assim o papel de uma ferramenta importante na reabilitação do doente, uma vez que podem investigar-se alguns problemas do movimento da esfera afectiva, mesmo sabendo que o jogo está na esfera da realidade. Apesar de tudo, o jogo não é irreal como nos diz Elkonin (1998, p.167) “ por isso tem a rigidez própria da realidade”. São muitas vezes utilizados jogos psicológicos em grupos, estes, tem como objectivo fundamental, como nos diz Manes (2007, p. 6) “ é proporcionar aos participantes uma experiência particular de aprendizagem”, fornecendo assim, “um nível base de estimulação capaz de activar processos que permitem a tomada de consciência das dimensões intrapsiquícas e relacionais do funcionamento humano”, facilitando, assim, alteração do modo de pensar, sentir e relacionar-se com o meio. Manes acrescenta ainda que “ em grupo é possível, então, trabalhar e estimular, (…), três dimensões do funcionamento psicológico humano: a dimensão emotivo-afectiva, a dimensão cognitiva e a dimensão experiencial” (p.6).
Quando se programa uma dinâmica de grupo, deve-se ter em conta o grupo que está perante nós. Sem dúvida que quanto mais heterogéneo o grupo for mais produtiva será essa dinâmica, no entanto, parece-me que há que ter em conta as pessoas e o seu estado de saúde. Por exemplo quando se programa um psicodrama, e temos um grupo onde predominam pessoas com síndromes depressivos, o animador dessas sessões deve ter em conta que, como refere Vieira (1999, p. 30), “como o individuo inibe a sua espontaneidade, interligando falsos papeis rígidos e estereotipados”, pretende-se assim, “ quebrar a rigidez através do libertar da espontaneidade e da criatividade encarcerada na carapaça depressiva”. É importante desde logo, segundo Vieira (1999) permitir que o grupo acompanhe o doente desde o início e fomentar a coesão do grupo para permitir aumentar a auto-estima. Deve-se utilizar a técnica de do espelho ou o jogo da representação de papéis (p.31),
Se por exemplo, no grupo, predominar elementos com perturbação de ansiedade o objectivo será aumentar o empowerment como refere Vieira (1999). Assim poder-se-á abordar o grupo utilizando técnicas de relaxamento (p.17).
Se o grupo tiver predominância de elementos psicóticos deve o profissional ter em conta que, como nos diz Vieira (1999, p. 132) “ o psicótico começa geralmente por desconfiar do que lhe é proposto dramatizar”, por isso o mesmo autor aconselha a técnica de substituição de papel, ou a técnica do espelho.
Há que referir que para se aplicar estas técnicas há que as dominar convenientemente, pois parece-me que se for para as fazer mal, mais vale não as fazer sob pena de contribuir para um aumento da ansiedade dos doentes do grupo.

Técnicas Expressivas

terça-feira, 25 de setembro de 2007

filme - você aprende

Este filme, abaixo publicado, foi realizado por mim no contexto de um Pós Graduação em Saude Mental, é como uma autobiografia, acompanhada por um texto escrito por William Shakespeare, em versão brasileira. Este filme foi elaborado no intuído de me apresentar enquanto estudante desta Pós – Graduação, de mostrar o meu percurso de vida, contem excertos de filmes que foram significativos para mim nos vários estadíos do meu desenvolvimento. Assim como o texto é significativo para mim enquanto pessoa e profissional, pode também ele ser um guia para que se mantenha a saúde mental;