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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

FINALMENTE ...




Hoje em Diario da Republica foi publicado a autorização para a abertura da Pós Licenciatura em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria na Escola Superior de Enfermagem de Setubal. Esperava esta noticia à 2 anos, aconteceu agora, logo agora que estou matriculado na Pós Licenciatura de Saúde Mental na Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias.
De qualquer forma estou satisfeito e vou aguardar, aguardar, aguardar...
Também já é algo que estou habituado.


sábado, 15 de dezembro de 2007

Porque Estamos no Natal

Porque estamos no Natal e a mensagem é de PAZ...

As minhas filhas deixam esta mensagem a quem nos lê.

Feliz Natal, um Ano Novo Feliz.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Dias de uma P.G. VII

Já há duas semanas que não ia às aulas. Uma semana por motivos profissionais e outra porque fiquei apeado na auto-estrada, sem carro, que resolveu avariar, infelizmente, para sempre. Coisas que acontecem.
Recebi ontem a noticia que vou participar na abertura do Serviço de Psiquiatria do Hospital Garcia de Orta.
Hoje, o dia de aulas foi sem dúvida um dia produtivo. Eu e mais dois estudantes da Pós-Graduação apresentámos o que já tínhamos feito relativamente ao portfólio. As minhas dúvidas dissiparam-se, os meus receios afinal não têm razão de ser. Vejo que estou no bom caminho e na minha opinião a produzir trabalho que é válido na aprendizagem das temáticas da saúde mental. Apresentei o meu filme “você aprende”, sobre mim e sobre os meus gostos, sobre como vejo a vida. Este filme é feito com fotografias minhas, imagens que gostei e excertos de filmes que me marcaram nas diferentes etapas da minha vida. Apresentei também a estrutura do meu portfólio.
Na aula da tarde, técnicas expressivas, fizemos exercícios de dinâmicas de grupo. Foi sem dúvida excepcional. Conversei com colegas com os quais ainda não tinha conversado, já que a dinâmica incidia muito sobre a confiança. Penso que estas dinâmicas podem ser bastante úteis no meu serviço, uma vez que, também nós não nos conhecemos.
Estas dinâmicas, podem ser úteis em grupos que necessitem de adquirir confiança entre os membros, assim como, permite uma maior auto-confiança do indivíduo. Promove o trabalho em equipa e estimula a entreajuda.
Cada vez mais me sinto motivado para aprender mais sobre estas técnicas, para poder executá-las não só nos profissionais do meu serviço, assim como, nos nossos doentes.
Há hora do pequeno-almoço, tive a oportunidade de trocar algumas impressões sobre o portfólio, sobre o meu e dos outros. O meu ficou parado por uns dias, uma vez que estou a elaborar normas e um trabalho de pesquisa sobre as doenças psiquiátricas mais comuns, uma vez que estou a abrir o Serviço de Psiquiatria no Hospital Garcia de Orta. Talvez o portfólio não esteja mesmo parado, uma vez que estou a trabalhar para compreender melhor as patologias do doente psiquiátrico. Esta mudança não está a ser fácil. Primeiro, as despedidas do Serviço de Pneumologia. Pessoas que muito gosto e com quem partilhei espaços e tempos de vida, vão deixar de estar em convívio diário comigo. Lá estou eu a fazer analogias entre as despedidas e a morte. Segundo, por entrar num novo serviço que me pode oferecer novas oportunidades, como diz Francis Bacon “ O homem deve criar as oportunidades e não somente encontrá-las”. A ver vamos, mas começo a claudicar, devido a algum cansaço acumulado. Espero recuperar as energias, pois o mês de Julho parece ser intenso e ainda tenho muito que pesquisar e escrever para o portfólio.
Sinto-me em falta para com as colegas que partilharam comigo as histórias de vida. O primeiro semestre da Pós Graduação está a terminar, o portfólio está por acabar e o trabalho nos meus dois hospitais mantém-se, pelo que será necessário fazer opções, mesmo que me apeteça muito estar em todo lado, é humanamente impossível. Resolvi não ir à aula da manhã.
Fui então, depois de um sono reparador depois de uma saída de vela, à aula da tarde. Depois de efectuarmos o ritual das mesas e cadeiras e do aquecimento, a aula de técnicas expressivas hoje debruçou-se sobre pintura, comunicação expressiva de emoções através do desenho. A temática do desenho era simples, desenhar sobre um sonho recorrente na nossa vida. Se a temática era simples, a tarefa pareceu-me mais complicada, pois escolher de entre muitos sonhos que me incomodaram, ou que realmente me fizeram feliz, não é fácil.
Resolvi desenhar, sobre um sonho que tive várias vezes, quando era adolescente. Chamo-lhe, o “pânico das portas”. O medo de chegar atrasado ao um teste na escola, provoca sonhos que definitivamente nos incomodam. A ansiedade e a insegurança instala-se quando queremos bater a todas as portas e nunca encontramos, a porta certa, para cumprir as nossas tarefas.
Quantas vezes na vida também não sentimos estas angústias por não sabermos a que porta bater para seguirmos em frente, ou, quantas vezes não nos depararmos com várias alternativas e sentimo-nos indecisos sobre o caminho a seguir.
A tarefa seguinte foi explicarmos os nossos desenhos, mais uma vez fui o primeiro a fazê-lo, afinal é sempre necessário alguém para quebrar o gelo, para se continuar a aula. Foi extremamente divertido, embora, a brincar se fale de coisas sérias.
Só tenho pena destas aulas estarem a terminar. Além de serem aliciantes, servem também para nos mostrar o potencial terapêutico destas técnicas. Para mim, pelo menos, sinto que é terapêutico, pois sinto-me mais relaxado, mais confiante e no grupo encontro elos mais fortes, dada a partilha que fazemos nestas aulas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Dias de uma P.G. VI



A unidade curricular de hoje é relação de ajuda/ Processo de aconselhamento. Hoje a aula foi um revisitar dos conteúdos dados. Foi como arrumar as coisas, etapas, papéis e conceitos ficaram na minha perspectiva bastante melhor esclarecidos. Hoje é a última aula com o Dr. João Geraldes, penso que estas aulas foram decisivamente positivas, pois é dado uma perspectiva diferente da relação profissional/doente de alguém externo à enfermagem. Muitas coisas foram cimentadas hoje e decisivamente, na minha perspectiva, poder-se-á fazer a relação de processo de aconselhamento/ Aliança terapêutica e relação de ajuda. Faz sentido agora depois de ler o livro “Processo de Aconselhamento”, reflectir sobre as nossas práticas à luz do que é o processo de aconselhamento.
Hoje o dia de aulas foi completo. Ás 8 horas e 30 minutos começou o módulo Narrativas de Vida. Esta aula foi como um reviver de sentimentos da aula passada em que nos contámos ao grupo. A grande diferença é que desta vez reflectimos sobre as nossas experiências e partilhamos o que sentimos. Muitas vezes somos confrontados com situações que nos incomodam sem saber bem porquê. Estes momentos de partilha de experiências serve também para pensarmos que não somos os únicos a sentir o que sentimos. Foi basicamente isto que se passou, há primeira vista parece pouco, mas se analisarmos com mais atenção o que se passou veremos que muita coisa foi apreendida e muita coisa foi reflectida.
À tarde, iniciámos um novo módulo sobre Técnicas Expressivas. Sinceramente tinha algumas fantasias sobre este módulo. A primeira aula correspondeu totalmente a estas fantasias, digo até que superou, uma vez que vi as potencialidades terapêuticas da técnica abordada. Falou-se de escrita criativa, e elaborámos um texto sobre a pós-graduação. Em primeiro lugar não sabia o que escrever, mas ocorreu-me que seria criativo explicar às minhas filhas o que o pai andaria a aprender na escola, uma vez que também o pai lhes pergunta o que elas andam a aprender na escola.
De seguida analisámos os textos de alguns colegas e o meu texto. Somos sem dúvida diferentes uns dos outros, pois aquilo que nos move é diferente, os nossos interesses são, definitivamente, diferentes, apesar de todos nós queremos concluir com aproveitamento esta pós graduação. Foi sem dúvida aliciante. Fiz algumas pontes nesta técnica com o processo de aconselhamento e sem dúvida com as narrativas de vida. Como se costuma dizer na gíria futebolística fiquei adepto deste módulo e desta técnica em particular.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Dias de Aulas de uma P.G. V




Era então hoje o dia da narração das histórias de vida. O grupo tinha sido estabelecido na aula anterior, consoante as experiências em outras situações pedagógicas semelhantes. O meu grupo é constituído por mim e mais três colegas mulheres.
Fui o primeiro a narrar a minha história de vida. Apesar de estar habituado a fazê-lo, não deixa de ser sempre uma nova descoberta e um novo encontro comigo, com o meu passado, com o meu vivido. Aspectos positivos que são exprimidos com sorrisos, e aspectos com carga negativa contados com mais emoção. Falei ininterruptamente durante cerca de 28 minutos. O sentimento de partilha é sem dúvida interessante, uma vez que estava-me a contar perante três pessoas, que apesar de colegas, penso ser a primeira vez que estava a falar com elas. A segunda colega falou com emoção, era a primeira vez que teve “coragem” para contar uma experiência traumática, senti que se encontrou com os seus “fantasmas”, senti-a inicialmente perdida, insegura e vulnerável. Com o passar do tempo o seu discurso passou a ser mais confiante, embora não disfarçasse a emoção.
A terceira colega a falar, pareceu-me uma mulher mais vivida e com os seus “fantasmas” dominados, era sem duvida uma história sofrida, cheia de desencontros e carregada de sofrimento. Pareceu-me alguém que já reflectiu este período da sua vida e finalmente encontrou o seu caminho.
A última colega a narrar a sua história de vida, prometeu que não falaria muito, uma vez que se sentia incapaz de se contar. Realmente teve bastante dificuldade, mas sentiu que aquele momento de partilha de experiências tinha sido genuíno e tentou partilhar com o grupo.
Ao analisar as histórias de vida, há sem duvida uma preponderância de movimentos negativos. O sofrimento é sem duvida o que é mais difícil de relembrar, embora porém, talvez seja aquele que mais necessidade teremos de partilhar. Ao contarmos momentos traumáticos, enfrentamos os nossos medos e inseguranças. Acredito que quando as contamos repetidamente estes nossos “fantasmas” passam a ter um peso bastante menor na nossa vida, conseguindo cada um de nós seguir com uma vida mais saudável.
Depois deste momento, tivemos reunião de supervisão de cuidados. A reunião com o professor, teve como objectivo, analisar o caminho percorrido na elaboração dos portfólios. Sinto que apesar de tudo, estou a desenvolver um trabalho que vai de encontro aquilo que se pretende, alem disso estou a sentir prazer em fazê-lo e estou sem duvida a aprender coisas sobre saúde mental, que para mim eram completamente desconhecidas.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Dias de Aulas de uma P.G. III


Hoje era um dia diferente, uma vez que só teria de entrar ás 11h30m. Teria hoje a primeira aula de supervisão de cuidados. Dois grupos, 10 estudantes, 2 professores. A expectativa era alta uma vez que pouco ou nada sabíamos sobre o que se iria passar. Tinham-nos dito que era como fazer teatro, mas mais nada tinham adiantado. Começámos então a construir o nosso átomo social, que consta em colocarmos os vários actores na nossa vida, neste caso, profissional em determinadas posições, perto, longe, virados para nós ou de costas para nós, consoante a proximidade das pessoas ou dos grupos profissionais. Neste primeiro exercício de representação de átomo social, foi definido que todos os estudantes iriam representar os seus contextos profissionais, no domínio das relações entre profissionais nas instituições em que trabalhamos.
Ao analisar o que se passou, há que realçar os sentimentos dos indivíduos que estavam a representar o seu átomo social pareciam vir à flor da pele. Notou-se algum nervosismo, quando tomávamos o lugar de quem colocávamos à nossa volta e dizíamos o que pensávamos, sobre a opinião que os outros têm de nós.
Pareceu-me interessante e mesmo terapêutico ver-me com os olhos dos outros. Notoriamente, conseguimos uma visão externa de nós. Olharmo-nos com os olhos do outro, é sem dúvida, uma visão privilegiada, pois permite que analisemos as relações de dois pontos de vista, o meu e o do outro. Mesmo que a visão do outro seja condicionada por aquilo que eu acho que ele pensa de mim. Pode, evidentemente, conter erros de avaliação mas, sem dúvida, pode ser um ponto de partida para nos conhecermos melhor e conhecermos melhor o outro.
Construí um átomo social, baseado no Serviço de Pneumologia. Pareceu-me fácil fazer esta construção uma vez que me parece claro a posição que ocupo no serviço, assim como as relações tenho com os diversos profissionais. No entanto, quando me foi pedido para me colocar na posição desses actores e dizer aquilo que eu acho que eles pensam de mim, já não foi tão claro.
Foi difícil, uma vez que senti que poderia ser injusto com uns e não muito rigoroso com outros. O que me pareceu que aconteceu, foi aquilo que eu acho que eles pensam de mim e não aquilo que na verdade eles pensam, pois provavelmente alguns nunca manifestaram, o que pensam sobre mim, assim como, eu também nunca lhes disse o que penso deles. O que me leva a pensar que, provavelmente, as relações menos conseguidas não são por falhas dos outros, mas também por algumas falhas minhas.
A aula da tarde era novamente sobre ética. Primeiro elegeu-se o representante da turma, foi um processo democrático e unânime, uma vez que o eleito nem estava presente.
Hoje o dia académico “in loco” é bastante reduzido, as aulas só começaram ás 15 horas. Cheguei à escola ainda não tinha ninguém chegado. Pouco a pouco, os colegas foram chegando. Falámos sobre as férias, sobre o tempo enfim sobre tudo aquilo que também faz parte de um início de relacionamento. Perguntei como iam as reflexões e os portfólios de dois colegas, inteirei-me das suas intenções.
Chegou o professor Joaquim com outro professor que nos apresentou. Começou a aula. Naquele início, senti frieza de relacionamento. Depois com o passar de alguns minutos correlacionei as parecenças morfológicas e de postura do professor com as de um actor conhecido, e sorri. Não sei se de propósito ou não mas aquela atitude entrou, fez despertar as nossas mentes, senti uma certa leveza no ambiente. O que é certo é que aquilo que nos estava a ser transmitido fazia todo o sentido. Falava-se de relação de ajuda e do processo de aconselhamento. Falava-se de conteúdo manifesto e latente, falava-se de dar sentido depois de ser pensado, de dar autonomia ao outro, de noção de limites, de actos e factos, de transferência e contra transferência, enfim falava-se de muita coisa que encaixavam umas nas outras e que faziam todo o sentido no processo de aconselhamento e também na relação de ajuda.
Sempre fui muito de paixões, sempre fui muito de empatias. Senti empatia por quem diz e pelo que foi dito. Senti que realmente teria muito a aprender. Espero com manifesta curiosidade para o que reserva ainda estas aulas.
Cheguei a casa e continuei as minhas pesquisas. Estou a “atacar” em várias frentes. Este diário, que penso que é o pilar das minhas reflexões pessoais, não por conter nada de muito cientifico com recurso a autores, mas é a partir de aqui que inicio estas pesquisas.

domingo, 7 de outubro de 2007

FAZ HOJE 16 ANOS...




Faz hoje 16 anos que entrei no Curso Superior de Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem de Portalegre. Foi aqui que tudo mudou, cresci, amadureci, fiz-me homem e profissional. Guardo boas recordações desses anos inaugurais.
Sobretudo, tendo como presente a noção, que valeu a pena.
Um abraço, a todos aqueles que me acompanharam nesta minha jornada de 16 anos.