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sexta-feira, 7 de março de 2008

Compaixão II



No texto “Reflection on Martha Nussbaum’s Work on Compassion from a Buddhist Perspective”, em relação ao Budismo a personalidade é vista como um agregado dinâmico constituído por cinco factores: a corporalidade a sensação, a percepção, as formações mentais e a consciência. Existe aqui uma separação clara entre o corpo e a mente, em que a mente assume assim um papel mais importante na constituição do ser. O budismo assume que todos estes factores são portadores de experiência.
A compaixão é vista também como um sentimento de proximidade, isto porque só se sente compaixão por alguém que é do nosso interesse, ou melhor, de alguém em que nos podemos colocar no lugar. Existe então na compaixão esta ideia de paridade. O budismo assume que o indivíduo e a sociedade são interdependentes, já que o indivíduo é inseparável da sociedade. Na religião Budista existe a crença na reencarnação e em como podemos reencarnar noutros seres vivos, assim, o respeito por tudo o que os rodeia é permanente. Como é referido no texto, aqueles que têm a “fortuna” de ter um renascimento humano com todo o seu potencial para a consciência, sensibilidade e a liberdade, têm o dever de não abusar dos direitos de outros e de florescer moral e espiritualmente. Este florescer só acontece se a existência física e a liberdade social estiverem mantidas.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

41 DIAS SEM "FUMAR"


Já passaram 41 dias, em que coloquei "definitivamente" os cigarros de lado. Escrevo hoje pois acabo a primeira fase do tratamento. Perguntam é facil? é divertido? senteste-te melhor?
A resposta para todasestas perguntas é NÃO.
Não é facil, pois andamos constantemente a combater os nossos maus hábitos, bebe-se um café e lá vai, almoça-se ou janta-se e mais dois, tira-se o isqueiro e ... Logo também não é nada divertido, pois muitas vezes, principalmente no inicio ficamos com tempos mortos que só com o tempo é que vamos preenchendo.
A ultima pergunta, sentes-te melhor? Bem, a roupanão cheira a tabaco, tosse também não tenho, estou a poupar uns trocos, mas porque raio estou a engordar e sinto-me mais ansioso, ainda hoje passados 41 dias.
Uma coisa é certa, vou prosseguir nesta batalha interior, que requer muita força de vontade.
Boa sorte a quem tomou a mesma decisão que eu, pois esses compreendem-me melhor.

COMPAIXÃO



A ideia de compaixão acompanha as religiões e as sociedades desde sempre. Embora segundo Sponville (1995, p. 113) referir que “ a compaixão tem má fama: ninguém gosta de ser alvo dela, nem tão pouco senti-la”. Muitos encaram compaixão simplesmente como o acto de fazer o bem ao outro, outros encaram de uma forma mais complexa, como um sentimento de simpatia profundo para o outro que foi acometido pelo infortúnio, acompanhado por um desejo forte de aliviar o sofrimento. No entanto, simpatia como refere Sponville (1995, p. 114) ser “ a participação afectiva nos sentimentos dos outros (estar em simpatia è sentir com, ou da mesma maneira, ou um pelo outro), bem como o prazer que daí resultam.” Sponville considera então a simpatia como um sentimento e não como uma virtude.
Já Aristóteles considera que a compaixão significa etimologicamente sentir ou sofrer com o outro. O seu excesso paralisa, na medida em que se constitui na síndrome de “o coração partido”. A sua deficiência anda associada à “dureza de coração” e, portanto, à insensibilidade. Sponville, também corrobora esta ideia uma vez que refere que “a participação no sofrimento dos outros”( p.115)
No Budismo, compaixão pode ser traduzida como simpatia activa, afeição delicada, envolve o sentimento do outro como parte de nos próprios.
Sponville avança com a ideia de que para os budistas a compaixão é talvez a maior virtude de todas. Uma vez que a compaixão, como nos diz (1995, p. 119) “ é o amor na medida em que afecta o homem de tal maneira que ele regozija com a felicidade dos outros e se entristece com a sua desdita”. Considerando que a compaixão é “ uma virtude singular que nos abre não apenas a toda humanidade mas ao conjunto dos vivos ou, pelo menos, dos que sofrem” (p. 122)